La La Land: Cantando Estações

La La Land: Cantando Estações

lalalandposterUm musical. Sim, dos gêneros tradicionais do cinema, este talvez seja o que mais me faça passar longe das telas. Sempre me pareceu absurda a ideia dos personagens, diante de quaisquer que fossem as intempéries, saírem cantando e dançando, do nada, para, logo em seguida, voltarem a trama. Entretanto, após quebrar o record de premiações do Globo de Ouro, levando 7 prêmios, La La Land chamou, merecidamente, a atenção do mundo.

O filme traz uma abertura ao estilo clássico, com um número musical que conta com dezenas de dançarinos que saem de seus carros meio ao trânsito parado a caminho de Los Angeles. Logo de cara, o esmero com a estética fica claro, tamanha complexidade da apresentação filmada toda em plano sequência, sem cortes perceptíveis. Com o passar dos minutos, a fórmula padrão de paralização da cena para dar lugar às músicas vai mudando. As transições ficam mais naturais e funcionam de forma orgânica na maneira de contar a história.

Narrando as dificuldades da vida de quem pretende atingir o estrelato em Hollywood, La La Land mostra uma aspirante a atriz chamada Mia (Emma Stone) que, enquanto tenta a sorte em testes de atuação, trabalha o mais próximo que consegue do seu sonho: em uma cafeteria dentro dos estúdios Warner, em Los Angeles. Paralelamente, somos apresentados a Sebastian (Ryan Gosling), um pianista que defende as origens do jazz e persegue seu sonho de tocar música boa para quem quiser ouvir. A vida dos dois protagonistas se cruza e, a partir daí, o subgênero de romance toma conta.

LaLaLand

O diretor e roteirista Damien Chazelle, que fez seu nome após o excelente Whiplash (2014), se firma e mostra, mais uma vez, que tem um futuro brilhante pela frente. Não só o roteiro de La La Land é irretocável, sensível e cativante, como a presença da direção é sentida em cada cena, cada enquadramento. A fotografia, a propósito, é outro grande destaque. Ainda que todo o longa se passe em tempos atuais, com smartphones e vídeos na internet, o trabalho fotográfico, que brinca com a iluminação e o colorido das cenas, remetendo, muitas vezes, a um palco de teatro, aliado ao figurino clássico do século passado, nos faz pensar, com toda essa delicadeza das misturas, que estamos diante de um épico.

Perante um elenco que não poderia ser mais acertado, com participação de luxo de J.K. Simmons, os personagens atingem, com louvor, o objetivo de identificação com o público. A atuação de Stone, digna de indicação ao Oscar, é brilhante. Gosling não fica para trás e a dupla, que tem muita química já de outros trabalhos cinematográficos, tem a capacidade de contagiar os espectadores com suas alegrias e tristezas. Quando as luzes se acendem, ao fim da projeção, a percepção do todo aparece, revelando-nos que, embora seja um filme de romance, não é sobre o romance que estamos falando. Mais uma sutileza que devemos ao belo roteiro. Se obrigatório fosse indicar um ponto negativo apenas, eu diria que o timbre de voz de Gosling destoa do tom das canções do filme. É nítido, porém, o esforço do ator em dar o melhor de si, e até nisso, é possível fazer uma relação direta com as características de seu personagem.

As canções são outro ponto alto. As letras ajudam, e muito, na narrativa e as melodias grudam nos ouvidos, mostrando-se um filme altamente artístico, inclusive, tornando-se um novo paradigma moderno. Quando falam por aí que cinema é a sétima arte, é de La La Land que estão falando.

5

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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