Passageiros

Passageiros

passageiros-posterO gênero de ficção científica parece mesmo estar em alta. E dentro dessa espécie, tantos outros subgêneros e assuntos podem ser inseridos e explorados das mais diferentes formas imaginadas pelas cabeças de seus criadores. Passageiros é um exemplo de pretensão que tenta misturar quase todas as categorias em um blockbuster espacial.

A premissa parte de um ponto interessante. O diretor Morten Tyldum traz conceitos visuais futuristas que, ao mesmo tempo que tudo parece um futuro distante, visto que a humanidade já é capaz de fazer viagens que duram 120 anos para colônias em outros sistemas solares, de certa forma, são bem baseados nas tecnologias que já temos atualmente, sem grandes inovações práticas.

O grande chamativo de Passageiros é dupla de protagonistas. Apostando nos rostos mais conhecidos e carismáticos de Hollywood, o filme traz Chris Pratt e Jennifer Lawrence no centro de uma trama que, praticamente, depende única a exclusivamente de suas atuações para funcionar, visto que são os únicos personagens em 99% da projeção. E é nesse quesito que as coisas já começam a caminhar mal. Pratt parece ter a mesma expressão no rosto por todo o longa. Seja em momentos que deveriam ser dramáticos, seja em outros de diversão, o ator não entrega grande desempenho e, nem de longe, consegue convencer de seus dilemas morais. Já Lawrence se sai melhor. Embora pareça interpretar ela mesmo, meio em automático, não é à toa que se tornou a atriz mais bem paga do cinema, visto seu carisma.

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Mas é no roteiro que a coisa realmente vai ladeira abaixo. O filme começa com um tom de suspense, quando a capsula de hibernação de Jim, personagem de Pratt, para de funcionar, acordando-o 90 anos antes da chegada ao destino. As descobertas, o isolamento e o desespero saem de cena completamente a partir do momento que Aurora (Lawrence) também desperta e entra em cena. O clima fica leve e a comédia romântica toma conta da ficção. Ainda dentro das quase duas horas de exibição, vemos o filme se tornar uma ação quase como em Armageddon (1998). Essa falta de uniformidade de ritmo tira a capacidade de discussões mais profundas que realmente importariam dentro do contexto e isso é crucial. Além de ignorar o aprofundamento de questões éticas que renderiam ótimas discussões, o roteiro cria soluções banais e completamente desprezíveis para solucionar problemas criados por ele mesmo. Sem contar que a grande revelação, prometida desde os materiais promocionais do filme, não tem impacto algum no público. Se o foco era surpreender, a história deveria ter sido contada pela ótica de Aurora, não de Jim.

Com várias boas ideias e péssimas escolhas criativas, Passageiros é, no máximo, um passa tempo. Com grande potencial, tanto de enredo como dos atores, totalmente desperdiçado, torna-se uma aventura espacial genérica e esquecível com status de grande produção.

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Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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