Rogue One: Uma História Star Wars

Rogue One: Uma História Star Wars

rogueone_posterApós 7 filmes que, ao longo de quase 40 anos, contam as histórias da família Skywalker e sua influência na guerra entre Império e Aliança, o universo Star Wars ganha seu primeiro longa considerado spin-off, abrangendo outra parte, antes pouco explorada, da riquíssima narrativa criada por George Lucas.

Com o enredo tirado de apenas algumas linhas do letreiro inicial de Uma Nova Esperança, o Episódio IV, primeiro lançamento da franquia (1977), Rogue One já nascia com o desafio de contar uma história em que todos já sabiam onde acabaria. Coube ao diretor Gareth Edwards o fardo de transformar, então, os meandros dessa aventura em algo digno de ser Uma História Star Wars. E, sendo fã declarado da franquia, Edwards se saiu muito bem em sua proposta.

Toda a atmosfera reproduzida em tela é facilmente reconhecida. Mesmo apresentando várias novas áreas da vasta galáxia, todos os detalhes foram pensados de maneira a representar referências capazes de levar o clima de Star Wars direto ao coração dos fãs. O visual de Rogue One merece destaque não só por ser ótimo, mas por ser tão rico e tão relacionado ao visual ao que fomos apresentados na primeira trilogia. A qualidade técnica dos efeitos visuais e especiais é incrível, contando até com personagens humanos sendo feitos inteiramente em computação gráfica. O mesmo esmero é dado a trilha sonora, que mescla as novas composições com delicadeza naquelas velhas conhecidas de John Williams.

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O roteiro de Rogue One consegue, ao mesmo tempo que apresenta alguns novos conceitos, se prender bem ao propósito original de contar como os planos da Estrela da Morte foram roubados. Dando profundidade e importância a esse momento histórico da saga, o filme explica passagens que, anteriormente, foram apenas jogadas na linha temporal e obtém sucesso, principalmente, na justificativa para a falha encontrada pelos rebeldes na construção da arma definitiva do Império. No centro da trama temos a nova personagem Jyn Erso (Felicity Jones), cujo protagonismo soa forçado por suas motivações familiares que se encontram com a causa rebelde por acaso. Por outro lado, os coadjuvantes ganham destaque por terem planos de fundo melhor elaborados, estruturas narrativas convincentes e representarem outros elementos do universo, como Chirrut Îmwe (Donnie Yen), que leva a crença na Força e a lembrança dos Jedis em sua memória.

O primeiro ato do filme sofre um pouco com o ritmo mais arrastado, focado no desenvolvimento de Jyn. Do meio para frente, o longa toma ares do gênero de guerra e aproveita-se dessa atmosfera para evidenciar que não há honra ou ética em nenhum dos lados de uma batalha. Os combates são os mais gráficos já vistos na franquia, com mais impacto meio as cenas de guerrilha, tornando este, ainda que tenha classificação etária baixa, a experiência Star Wars mais adulta e dramática dentre todas. No final, mais um presente para os fãs: uma cena sensacional com Darth Vader que, embora curta, é suficiente para deixar claro o motivo pelo qual o vilão deve ser temido por toda a galáxia.

Mais, mas muito mais que um caça-níquel, Rogue One: Uma História Star Wars serviu para mostrar que ainda há muito a ser contado sobre a vastidão do universo criado por Lucas, além das barreiras do eixo central da série. Sendo uma experiência de total deleite para aqueles que já são fanáticos, Rogue One também serve como ótima porta de entrada para a franquia, podendo ser apreciado fora de ordem cronológica.

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Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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