Anjos da Noite: Guerras de Sangue

Anjos da Noite: Guerras de Sangue

Para chegar ao quinto filme, uma franquia precisa conter alguns pré-requisitos naturais do business hollywoodiano. Uma excelente história para contar, aliada de uma produção caprichada e tecnicamente impecável é um fator que colabora para a longevidade no cinema, mas quando falamos da série Anjos da Noite parece que a razão, na verdade, é outra: uma base de fãs fiéis.

As cenas iniciais de Anjos da Noite: Guerras de Sangue dão um resumo dos acontecidos anteriormente, já prevendo que grande parte do público mal se lembra das idas e vindas entre vampiros e lobisomens. E esse é mesmo o espírito. A narrativa dá impressão de ser apenas uma linha guia na trilha das batalhas. A sanguinolência precisa ter um motivo, afinal. Embora esse quinto episódio dê continuidade direta aos outros longas, nada convence o espectador novato que algo foi realmente perdido, caso não tenha acompanhado a série do início. O roteiro até tenta surpreender com reviravoltas que se sucedem, cena após cena, porém sem o efeito esperado.

É claro que a proposta aqui nunca foi uma franquia de roteiros complexos, mas sim a grata sensação visual de um filme com bom design e boas cenas de ação. Esse é o trunfo que Guerras de Sangue mantém de seus antecessores. Muita violência gráfica, sangue e batalhas que vão de espadas e punhais até armamento militar moderno. A diversão despretensiosa é a recompensa para o público que sabe aproveitar de uma produção despreocupada, que flerta fortemente com o estilo de cinema trash. Os figurinos usados para diferenciar os clãs são quase um desfile de moda gótica, encaixando bem na temática e conquistando resultado interessante, inclusive influenciando na aparência miscigenada da protagonista ao longo da projeção.

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A direção de Anna Foerster, estreante nas telonas, não imprime uma assinatura particular, entregando uma obra tecnicamente muito parecida com todos os outros sob o nome de Anjos da Noite. A mudança mais nítida talvez seja pela total condução da história por personagens femininos. Kate Beckinsale, mais uma vez no papel da vampira Selene, e Lara Pulver, a vilã Semira, ainda que atuem no automático, são os destaques. Os homens, coadjuvantes quase inexpressivos, tem como principais representantes o vampiro David (Theo James), com um arco super clichê, e o lobisomem Marius (Tobias Menzies), incapaz de impor o medo digno das criaturas uivantes.

A base devota de fãs e a diversão proporcionada por Underworld: Blood Wars (no original), como já citados, se mostram suficientes para manter viva a franquia de vampiros e lobisomens mais fiel das histórias de horror que dignificam a fama de tais criaturas, pois pelo que tudo indica, a saga de Selena deixa brechas para perdurar por mais tempo. Com alguns ajustes, Anjos da Noite pode, ainda, render bons momentos de ação no futuro.

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Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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