A Chegada

A Chegada

arrival_posterMais um daqueles filmes sobre alienígenas que chegam na Terra, criam confusão, caos, insegurança, guerra e afins chega ao cinema. Pelo menos, essa é a primeira impressão que A Chegada causa no público. Mas pode parar por aí, não se engane. Embora esse seja o escopo geral, estamos diante de uma obra que tem muito mais a dizer, embora com palavras que nem sempre conhecemos.

Com um elenco principal super enxuto, porém estrelado, o filme que fala sobre, vejam só, naves alienígenas que, subitamente, são avistadas pairando sobre 12 pontos do nosso planeta criando curiosidade e desespero em nossa raça humana, amedrontada, por natureza, pelo desconhecido. A linguista Dra. Louise Banks (Amy Adams – múltiplas vezes indicada ao Oscar, vale lembrar) recebe o fardo de tentar desenvolver uma comunicação que esclareça a intenção dos invasores. Junto dela, o físico Ian Donnelly (Jeremy Renner, ator também indicado, por duas vezes, ao Oscar) procura padrões matemáticos no comportamento dos extraterrestres, enquanto estabelecem uma forte relação de cumplicidade. No comando, o Coronel Weber, vivido por Forest Whitaker, este sim, vencedor de um Oscar, personifica o poder do governo nos assuntos sobre a nave que se encontra em território americano.

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Com apenas três personagens principais e alguns coadjuvantes, as camadas do roteiro se desenrolam correlacionando memórias pessoais da Dra. Banks com os acontecimentos recentes. Muito mais que falar sobre invasão alienígena, é aproveitando-se do tema de comunicação que o diretor Denis Villeneuve vira o jogo para escancarar, na verdade, os problemas que nós, humanos, não conseguimos superar. O fato de cada nação tratar os invasores da forma como lhe convém, questionando as maneiras das outras nações e escondendo informações, criando uma competição entre elas, critica a falta de união e compreensão que assola nossa espécie. No fim das contas, não precisamos da intervenção de seres espaciais para declararmos guerra entre nós.

O desenvolvimento do filme é lento o suficiente para despertar aquele certo desconforto, aquela agonia que bons roteiros conseguem impor. A trilha sonora e enquadramentos diferenciados também ajudam no clima de ficção científica, tensa. É uma história que conversa muito bem com os entusiastas desse gênero, mas pode não ser adequada a um público maior. Se atentar às nuances é imprescindível para um maior entendimento do contexto.

Digno do uso da expressão mind-blowing, equivalente a muito surpreendente, A Chegada não só oferece ótima reflexão, como apresenta, ainda, uma reviravolta daquelas de fazer valer cada minuto da projeção.

5

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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