É Fada!

É Fada!

Estamos na era da colisão entre o cinema e a internet. Em tempos onde o YouTube já constrói mais celebridades que a TV, por exemplo, nada mais provável que a sétima arte, grande oportunista da fama de astros contemporâneos, encontre outras formas de atrair novos públicos. É nesse cenário que entra Kéfera Buchmann, umas das pioneiras na produção de vídeos para internet no Brasil, que possui milhões de fãs e seguidores em suas redes, prontos para acompanhar a atriz na sua estreia na telona.

Tendo em vista que a vlogger e protagonista já tem uma faixa etária de admiradores bem definida, adolescentes, parece fácil apostar que esse é o público alvo da história. A trama segue a mesma linha, mostrando a jovem Julia, vivida pela atriz Klara Castanho, precisando se adaptar à nova escola, rotina e amizades. Esse universo de novidades que passa a ser encarado pela menina com dificuldade e estranheza abrange vários problemas cotidianos da idade, bem como bullying e exclusão social. E para ajudar a resolver tais adversidades, Kéfera interpreta quase que ela mesma, na personagem Geraldine, uma fada madrinha que perdeu as asas por fracassar em missões anteriores e precisa de redenção.

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Usando como base o livro “Uma Fada Veio Me Visitar”, de Thalita Rebouças, a ideia parecia boa. Já a execução tem seus problemas. Com apenas 85 minutos, o filme apresenta recursos extremamente simples para desenvolver a narração. Além de uma montagem um tanto atropelada, as opções de roteiro para a resolução das dificuldades apresentadas são descompromissadas e, claramente, despreocupadas em dar qualquer profundidade à história. Tais soluções apressadas, aliadas a situações forçadas, sem naturalidade, e personagens extremamente estereotipados e caricatos acabam desconectando o longa daquilo que se propõe.

Por outro lado, se a leveza da trama afasta os adolescentes, atrai, e muito, os olhares dos mais novos. Kéfera e seu jeito atrapalhado tiram várias risadas das crianças, principalmente nos momentos de humor mais físico, com caras, bocas e trejeitos pelos quais a youtuber conquistou tantos fãs. A ressalva aqui fica apenas na contradição que esse “acerto no erro” pode causar. Mirando uma fatia do público e acertando outra, alguns termos e piadas acabam se desencontrando da capacidade inteligível dos mais jovenzinhos. Ainda assim, era fácil ouvir, ao fim da projeção, crianças eufóricas e seus elogios ao filme.

Em quesitos mais técnicos, maquiagem e efeitos visuais não impressionam, apenas seguem a média baixa do proposto pela obra e padrão das produções menos pretenciosas da Globo Filmes. A direção de Cris D’Amato, conhecida por S.O.S. – Mulheres ao Mar, não conseguiu apresentar uma assinatura que desse peso e personalidade ao enredo.

O sucesso de bilheteria – ou não – e o investimento na carreira de atriz de Kéfera agora depende apenas da força que o público da internet terá na recepção do filme e na forma em que o mesmo conseguirá atingir a quem deveria desde o início: as crianças.

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Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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