Batman: A Piada Mortal

Batman: A Piada Mortal

A missão de adaptar uma das mais famosas histórias em quadrinhos do Homem Morcego não parecia ser fácil. A DC Comics, porém, famosa por ter animações aclamadas pelo público, não se intimidou em correr o risco.

Dando início já de forma corajosa, o roteirista Brian Azzarello opta por criar um prólogo totalmente original que, além de encorpar a trama, dando a ela a duração necessária para um longa-metragem, funciona para aproximar o público da relação que Barbara Gordon, a Batgirl, tinha com o tutor Batman. Toda essa primeira metade da animação não tem relação direta com o material original, escrito por Alan Moore. Com temática um pouco mais leve que de A Piada Mortal propriamente dita, esse início ainda deixa presente uma alta tensão sexual que demonstra a tênue linha que separa o envolvimento pessoal e profissional entre Barbara e Bruce Wayne.

Passados os primeiros minutos, a história consagrada aparece em tela e destoa por sua temática extremamente sombria, como deve ser. O traço mais limpo da animação tira um pouco do peso da trama, mas, em compensação, o trabalho de transportar os quadros da revista de forma idêntica para o longa ajuda a agradar os fãs, bem como diálogos fiéis e flashbacks competentes.

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Embora todas as polêmicas e possibilidades de interpretação tenham sido mantidas, algumas cenas ajudam a aumentar indícios sobre os crimes cometidos pelo Coringa (contando mais uma vez com a ótima interpretação de Mark Hamill). Já na cena final, embora também corresponda ao visto na HQ, a solução gráfica para a icônica risada do palhaço, sumindo meio a chuva e as luzes de Gotham, mantem-se insuperável na mídia original, onde causa muito mais impacto que a vista na tela.

Tecnicamente falando, a adaptação de A Piada Mortal deixa a desejar. A impressão que fica é a de uma animação feita às pressas, ainda que quase 30 anos depois do lançamento da graphic novel. Algumas cenas são estáticas demais e, outras, apresentam movimentação sem naturalidade. Já no intuito de adaptar tal narrativa que permanece entre as mais cruéis dos quadrinhos, o longa é competente e entrega mais um item essencial na coleção dos fãs.

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Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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