X-Men: Apocalipse

X-Men: Apocalipse

xmen-posterApós (tentar) limpar toda a bagunça cronológica causada por 4 filmes, o quinto longa, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, deixou a casa arrumada para um futuro promissor dos mutantes na telona, ainda que tenha deixado outros arcos ignorados ou mal resolvidos. Com a chegada, então, de X-Men: Apocalipse, a promessa era de renovação, abraçando a formação original e dando início a uma nova fase.

Com um roteiro mais linear, tudo se inicia com a introdução do vilão-título, no Egito Antigo. Pulando para 10 anos após os acontecimentos de seu predecessor, há uma necessidade de (re)introduzir alguns personagens. Devido ao grande número de participações, o filme perde a chance de entregar uma identificação maior com o público, aproximar os novos heróis, como Ciclope (Tye Sheridan), Jean Grey (Sophie Turner) e Noturno (Kodi Smit-McPhee) e os já estabelecidos anteriormente, como Magneto (Michael Fassbender). Essa rápida passada, embora se justifique pela duração do longa e quantidade de eventos mostrados, acaba tirando peso das motivações e transformações pelas quais passam os X-Men e os Cavaleiros do Apocalipse. Tudo fica repentino demais.

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Apesar de não se concentrar muito na relação entre os alunos da escola para mutantes, inclusive deixando de fora da edição final algumas cenas esperadas sobre o desenvolvimento da amizade deles, o primeiro ato, que antecede a grandiloquência – que talvez seja o real vilão – é muito satisfatório. Esse vínculo que cerca os adolescentes, demonstrando uma vida normal de jovens no colégio, pela primeira vez no cinema, lembra a sensação dos verdadeiros X-Men de outras mídias, exatamente pela simplicidade despretensiosa, da descoberta dos poderes, da luta para controla-los, da dificuldade de se relacionar com outras pessoas. Esse clima, porém, acaba, rapidamente, sendo engolido pelo contraste da grandiosidade de uma ameaça de destruição mundial.

Toda a questão da ameaça causada por Apocalipse (Oscar Isaac) funciona. O visual do vilão, que causa estranhamento à primeira vista, não interfere no processo de aceitação do personagem. Suas características ganham interpretações interessantes, desde o modo de se manter vivo, até os poderes acumulados. Sua faceta religiosa mantém um tom acertado, que elucida toda sua questão de destruição e reconstrução do mundo para que apenas os “seus filhos” sejam dignos de sua glória. Vale ressaltar que Apocalipse é um vilão objetivo, não enrola em sua trama, nem desperdiça seu tempo. Também é válido o destaque para Fassbender, responsável por transmitir de forma incrível os sentimentos de Magneto, principalmente nos momentos mais dramáticos e perturbados do meio-vilão. A contrapartida, Professor Xavier, interpretado por James McAvoy, é mais uma brilhante atuação que transmite toda a dor, sabedoria e esperança do telepata.

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O diretor Bryan Singer se aperfeiçoa no encaminhamento dos X-Men a cada novo filme, mas ainda parece se perder em algumas ideias – como exemplo, aquela cena final em Dias de um Futuro Esquecido. Do lado de Apocalipse, Psylocke (Olivia Munn) é uma mera coadjuvante quase sem relevância (embora com visual arrasador!). Já no lado contrário, Fera (Nicholas Hoult) e Mística (Jennifer Lawrence) são subutilizados. A mutante azul, por exemplo, quase não usa seus poderes e protagoniza cenas menos empolgantes, mesmo inserida na batalha final, com uma pegada sentimental que não atinge o tom necessário.

No fim das contas, X-Men: Apocalipse é competente no que foi proposto, ainda que pese demais o estilo característico de seu diretor e tenha errado na escolha da ameaça, em termos da mudança de escala, já que confronta mutantes adolescentes e inexperientes com uma guerra contra o mutante mais poderoso da história. Com suas pontas soltas, fica possível imaginar o que vem pela frente – caso não utilizem, novamente, do artifício de ignorar completamente partes da história – e, recheado de fan services, o elenco que encerra a projeção promete ser a formação titular daqui pra frente, encerando a jornada de histórias introdutivas que empacam todos os filmes. O futuro da franquia parece, mais uma vez, promissor.

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Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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