Star Wars: O Despertar da Força

star-wars-o-despertar-da-forca-posterApós mais de 30 anos de espera por uma sequência da história que cativou uma legião de fãs de todas as gerações, o sétimo episódio do universo criado por George Lucas já nascia fadado ao desafio de agradar todos aqueles que cativou durante essas três décadas e repetir o feito do final da década de 70: conquistar outros milhões de novos fanáticos pela série.

Não à toa, a grande detentora dos direitos da Lucasfilm, a poderosa Disney, colocou a frente de tal projeto o diretor J. J. Abrams, responsável por notáveis revitalizações no cinema atual, tendo por maior exemplo o retorno de sucesso de outra saga igualmente cultuada por tantas décadas, Star Trek. Abrams, que já revelou inúmeras vezes ser mais um na horda de fãs do outrora chamado Guerra nas Estrelas, mostra-se, por sua vez, a escolha mais acertada para dada missão. O diretor parece um maestro capaz de orquestrar as mais difíceis composições com perfeição e entrega uma continuação que consegue pesar o legado deixado pela trilogia original, mas aponta seu destino para o novo, o desconhecido.

Apesar de Star Wars: O Despertar da Força apresentar um tom evidentemente nostálgico em quase todas as cenas, com direito a várias referências e bons fans services, o filme ainda tem o poder de apresentar personagens cativantes e despertar, além da força, a curiosidade para seus próximos capítulos. Mesmo que abuse em beber da fonte das histórias clássicas, recontando boa parte da caminhada do herói que acompanhamos, em especial, no episódio IV, e ainda utilize das mesmas formas simplificadas de resolver problemas de enorme magnitude, o roteiro tem forças para desenvolver uma diferenciada narrativa que envolva os conhecidos temas da série.

forceawakens

É inegável a mistura de emoções ao reencontrar os velhos conhecidos de outras datas nessa nova aventura. Ao ver Han Solo (Harrison Ford), Chewbacca e Leia (Carrie Fisher) pela primeira vez, um certo conforto acolhe os mais saudosos. Embora tais rostos conhecidos tenham grande espaço na trama, o centro das atenções é outro. Finn (John Boyega), o Stormtrooper que se rebela contra a Primeira Ordem, é o primeiro a ser desenvolvido. Com atos inseguros e um tanto desesperados, acaba ficando com o papel de alívio cômico, o fazendo muito naturalmente ao lado do droid BB-8, que também conquista o público por sua simpatia. Mas a verdadeira protagonista e destaque do filme, sem dúvidas é Rey. Uma mulher solitária, forte, inteligente e com passado misterioso. A atriz Daisy Ridley, que interpreta Rey, entrega uma personagem digna do destaque conquistado pela mulher autossuficiente do século XXI.

Um capítulo à parte no episódio VII é o vilão Kylo Ren. Embora faça incríveis demonstrações de controle da Força, Ren é imaturo e sofre com dilemas morais interessantes para a construção do personagem. Embora possa passar uma impressão de mal desenvolvido pelo filme, encaixa-se melhor na condição de mais um mistério que apenas começou a ser desvendado ao longo dos próximos episódios. Seu crescimento ainda não está completo e o teor dramático oferecido por Adam Driver promete grande profundidade, em um futuro próximo, ao seguidor de Darth Vader.

starwars

Outro nítido acerto de O Despertar da Força em relação à trilogia clássica é quanto aos efeitos visuais. Utilizando-se do máximo possível de efeitos práticos e localidades reais, tais condições transmitem uma confiança maior naquilo que vemos, tal qual os primeiros filmes da série. Personagens concebidos por computação gráfica, como é o caso de Maz Kanata (Lupyta Nyong’o) e Snoke (Andy Serkis) destoam de leve, mas cumprem o dever de encher os olhos dos espectadores juntamente dos outros efeitos de computação gráfica de impressionar (sabres de luz, lasers…). O efeito 3D não é indispensável, mas agrega ao visual incrível dos cenários e naves viajando pelo espaço da sala de cinema.

Mesmo com seus problemas de resolução imediata e uma certa previsibilidade no roteiro para aqueles que já viram os outros filmes, Star Wars: The Force Awakens (no original) solidifica seu retorno e justifica a repetição para firmar os temas que tornaram a franquia tão adorada. Depois dessa continuação com cara de reboot, só nos resta esperar para as novas histórias que o futuro deste universo nos aguardam.

DarthVader

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *