Quarteto Fantástico

Quarteto Fantástico

Correndo contra o tempo para não perder a posse dos direitos cinematográficos da super equipe, a Fox, aquela que outrora produziu alguns péssimos filmes dos X-Men, mas também surpreendeu com Primeira Classe, ofereceu um baixo orçamento para este reboot apressado do Quarteto e não conseguiu disfarçar tal situação.

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Filmes que contam a origem de personagens icônicos são sempre um desafio à parte, embora tenham se tornado grande tendência atualmente. Existem os que preferem narrar a ascensão/transformação de forma simplificada para dar mais espaço aos atos heroicos e, neste caso, o novo início do Quarteto Fantástico se mostrou totalmente oposto. O foco aqui é, claramente, desenvolver os personagens e suas relações muito antes de mostrar os heróis que neles desabrocharam.

Tudo se inicia com Reed (Miles Teller) e Ben (Jamie Bell), ainda crianças, tornando-se amigos na escola. Uma amizade de protocooperação onde Reed é o cérebro e Ben os músculos. Anos mais tarde, os irmãos Sue (Kate Mara) e Johnny Storm (Michael B. Jordan) são apresentados à trama, com cenas que tentam estereotipar suas personalidades como a menina inteligente e, de certa forma, esnobe e o potencial futuro engenheiro capaz de construir qualquer coisa, porém rebelde que gasta seu tempo se dedicando a carros montados para tirar racha na rua. Por último, Victor von Doom (Toby Kebbell) também integra a equipe com poucas cenas que sirvam de base pra uma apresentação consistente. Ainda que o roteiro se esforce para que a relação entre eles nasça de maneira orgânica, na maioria das vezes os acontecimentos são tão simplificados e repentinos que perdem a química.

O diretor Josh Trank (de Poder Sem Limites) sempre deixou claro que o reboot seria, antes de mais nada, um filme de ficção científica. Esse clima de ciência, aventura desconhecida, curiosidade, criação, invenção e, até mesmo, suspense é evidenciado pelo tempo de preparação para que o evento principal dê as caras. E até convence. O problema é o que vem depois disso.

Após toda a apresentação, suposto desenvolvimento e integração do pessoal, o que já consome boa parte da duração do longa, o tempo restante destoa grande parte do que foi construído até então. Os problemas entre estúdio e diretor, que já declarou em rede social que não foi responsável pela versão final do filme, ficam evidentes com um terceiro ato extremamente acelerado e com péssima montagem de cenas. Partes que foram mostradas nos trailers não existem no resultado entregue. O grande vilão, Doutor Destino, com incrível potencial para um verdadeiro apocalipse, acaba aparecendo nos últimos instantes sem ter o destaque merecido e com um péssimo teor de ameaça, sendo desperdiçado e vencido em cinco minutos, em uma cena pífia de batalha.

O já citado baixo orçamento corrobora com a impressão, também supracitada, de filme feito às pressas. Os efeitos visuais são simples e pouco detalhados, sendo mostrados, principalmente de longe e desfocados. Apenas a pele metálica do vilão parece ter tido um esmero maior. A falta de polidez atinge até mesmo os efeitos sonoros, que não ajudam a tornar a fantasia em algo crível.

Ainda que seja possível responder aos sedentos por comparações que este reboot consegue ser melhor que a versão de 2005 e, de certo modo seja um bom filme, até agora não se pode dizer que estamos diante do longa que define o Quarteto Fantástico. O que temos, na verdade, é um enorme episódio piloto de série de TV, que gasta todo seu tempo para preparar terreno pensando na continuação da próxima semana. Continuação esta que, infelizmente, demorará mais que uma semana para chegar às telas do cinema.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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