Homem-Formiga

Homem-Formiga

Pensando no histórico do personagem Homem-Formiga nas HQs, o retrospecto de histórias sólidas e com grande repercussão é quase nulo, exceto pelo fato de ser um dos membros fundadores dos Vingadores originais. Esse fardo poderia tornar a realização desse filme um ato de coragem por parte da Marvel Studio, mas ao contrário da aposta alta em Guardiões da Galáxia, Ant-Man (título original) se mostrou um dos filmes com mais pés no chão do estúdio (licença literária para a analogia com formigas e muitos pés).

Com um roteiro leve e despretensioso, o filme acerta no tom e na escolha do elenco. Paul Rudd e Michael Douglas estão irretocáveis em seus papéis. Já o vilão Jaqueta Amarela, vivido por Corey Stoll, é canastrão e um tanto desinteressante. Apesar de ser o primeiro filme da Marvel com subgênero de assalto, a trama – sem ousadia – recria a história do primeiro Homem de Ferro, onde o personagem título tem uma tecnologia invejada por outra pessoa que controla a empresa e tenta recriá-la, superá-la. Apesar de redondo e bem integrado ao universo dos Vingadores, a história é rasa suficientemente para figurar como digno de Sessão da Tarde, com direito a selo pastelão Marvel de ser. A já citada escolha acertada do ator Paul Rudd contribui muito para as – várias – cenas de humor que carregam os 117 minutos de projeção, bem como a cooperação de Michael Peña, que dá vida a Luis, outro personagem caricato que ganha a atenção quando se apresenta, especialmente quando narra histórias contadas por outras pessoas, onde aparece dublando flashbacks extremamente divertidos (um deles com Stan Lee).

Apesar de pegar o caminho seguro, que conta com um desenvolvimento previsível, sem reviravoltas ou profundidade, outros componentes da trama ganham destaque e Homem-Formiga apresenta elementos muito interessantes. A troca de escalas, da natural para o mundo das formigas, entrega ao público uma experiência incrível. Podemos dizer que é uma atualização do que era visto no clássico Querida, Encolhi as Crianças, sem tanta ênfase, infelizmente, no universo micro. Os efeitos especiais foram bem desenvolvidos para causar a impressão do encolhimento e retorno ao tamanho normal. As cenas de luta com o herói em ação são dinâmicas e envolventes.

A maneira encontrada pelos produtores, sem desmerecer o trabalho do diretor Peyton Reed, para interligar Hank Pym e Scott Lang aos filmes anteriores do estúdio também é ponto alto do longa. Começando com um flashback da década de 80, mostrando personagens consagrados em outros filmes/séries, já percebemos a homenagem ao primeiro usuário do traje encolhedor. No desenrolar da trama, surgem outras homenagens ao Homem-Formiga original e à sua mulher, Vespa, tão organicamente quando a participação do vingador Falcão, que faz pequena ponta responsável pelo gancho futuro das franquias.

No fim das contas, Ant-Man é uma ótima opção para o público de todas as idades, bom o bastante para divertir e expandir o universo dos heróis da Casa das Ideias, porém não o suficiente para surpreender e ser algo além disso. Resumindo, é “só” mais um filme da Marvel, o que, convenhamos, já é bem satisfatório parar muitos de nós, fãs.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

Um comentário em “Homem-Formiga

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *