Mad Max: Estrada da Fúria

Mad Max: Estrada da Fúria

Mad_Max_posterLongos 30 anos separam o recém lançado longa-metragem do terceiro título da franquia pós apocalíptica mais insana dos anos 80. A grande verdade é que, nesta era, a maior parte do público entusiasta de carteirinha dos cinemas mal conhece tais sequências e o que elas representaram outrora. Como se já não fosse desafio o bastante apresentar para essa nova geração um anti herói totalmente varrido pela loucura de seu tempo difícil, Mad Max: Estrada da Fúria tinha outra missão ainda mais delicada: dar continuação, sutilmente, àquilo que fora construído e solidificado décadas atrás, causando êxtase nos antigos fãs enquanto cativa os novos. Definitivamente, agradar a gregos e troianos.

A primeira impressão fácil de se obter é sobre o polimento e esmero com o visual. A fotografia chama a atenção desde as primeiras cenas com seus tons de laranja saturados que enchem os olhos e fazem os expectadores, praticamente, sentirem o gosto da areia dos desertos infindáveis. Assistir ao filme apenas uma vez passa a ser um alheamento, quase um desprezo, à quantidade absurda de detalhes e pormenores que vão desde os carros, principalmente, até a construção dos personagens e a sociedade como um todo. O elemento visual, a propósito, é um quesito que não só agrega à experiência, como torna-se fator básico para a compreensão do roteiro, super econômico, que abstêm-se do direito de explicar os fatos – o que é ótimo!

O diretor George Miller, mesmo após tantos anos se ausentando do estilo pelo qual foi eternizado, marca seu retorno nada modesto entregando uma obra que talvez não venha a ser paradigma, mas que, sem sombras de dúvida, dá uma aula de gênero no cinema moderno. Em seus 120 minutos, Estrada da Fúria torna-se a definição do verdadeiro filme de ação que não deixa brecha para suspiros, muito menos piscadas. A correria, aproveitando-me dos sentidos da palavra, é intensa, surpreendente e chocante. Dado ritmo tão acelerado somado com o peso narrativo visual, pelas entrelinhas, baseado em poucos diálogos tal qual a trilogia clássica, este novo capítulo da vida de Max Rockatansky (Tom Hardy) torna-se, também, um tanto penoso, quase intragável, aos que não possuem tanto gosto pela adrenalina correndo nas veias.

O grande responsável por fazer funcionar essa grande loucura em um filme coeso, no entanto, é o roteiro que, apesar de simples, demonstra claramente a profundidade dos problemas no planeta estéril que a Terra se tornou. Essa coerência alcançada no enredo permitiu, por exemplo, a inserção de componentes incrivelmente bizarros e interessantes. É o caso da trilha sonora tão inspirada e motivadora, tão intensa quanto as cenas, que se personifica na imagem do guitarrista insano com sua guitarra lança-chamas.

Com uma história em que diminui um pouco a grandiosidade do protagonista, talvez para compensar a troca de ator ou uma possível falta de carisma do mesmo, embora Hardy se saia muito bem no papel, o que desperta a atenção não é a loucura do personagem título (nem tão ‘mad’ assim), mas a força e importância da Imperatriz Furiosa, vivida com afinco por Charlize Theron. Ademais, Nicholas Hoult foi capaz de criar um vínculo interessante de seu personagem com o público, transformando um maníaco suicida em peça de grande importância na trama.

No fim das contas, toda a espera, as refilmagens e atrasos tornaram Mad Max: Fury Road (título original) uma obra tão incrível a ponto de uma reflexão: este é o filme de ação que eu e muitos outros sempre quisemos ver, ainda que, antes, não soubéssemos disso. Resta-nos agradecer a George Miller e a Warner por nos mostrar tamanha insistência e dedicação.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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