Vingadores: Era de Ultron

Vingadores: Era de Ultron

Aproveitando-se de todo o cenário já determinado pelos filmes anteriores, como o primeiro Vingadores e Capitão América 2, o diretor Joss Whedon retorna para a sequência da franquia dos maiores heróis da Marvel dispensando apresentações. Sem a necessidade de introdução, o filme mostra seu cartão de visitas com todos os vingadores invadindo as instalações da Hidra e resume o que poderemos ver daí em diante: ação desenfreada, múltiplos inimigos e focos de batalhas sem perder as famosas piadinhas.vingadores-era-de-ultron-poster

A primeira coisa que, talvez, deve ser dita sobre Vingadores: Era de Ultron é que, mais uma vez, Whedon deixa todos os seus traços tomarem conta do longa. Isto é, a divisão de tempo de tela dos personagens, a interação entre eles, a química, os diálogos ágeis e certeiros. Tudo está presente. Este fator característico do diretor já é suficiente para assegurar um bom resultado final. Porém, é claro, nem só disso são feitos os heróis mais poderosos desse universo cinematográfico.

Embora o roteiro paute um assunto amplamente discutido no cinema, a forma que a criação de Ultron faz todo o sentido para o viés do desenvolvimento dos heróis torna a história deste filme mais profunda e interessante que a contada no primeiro, sem desmerecer a importância do antecessor. A invasão dos alienígenas em Nova York serviu para alavancar assuntos sobre não estarmos sozinhos no universo, segurança mundial e preparação dos terráqueos contra possíveis novos ataques. Desta vez, porém, a discussão que levanta em torno da própria capacidade de criação, ainda que com bom intuito, gera uma narrativa mais densa e cheia de questionamentos.

Ultron

Ultron, por sua vez, se sai como um vilão notável. Concebido para livrar a Terra de tudo aquilo que a destrói e dotado da Inteligência Artificial advinda de uma joia do infinito e projetada por Stark (Robert Downey Jr.) e Banner (Mark Ruffalo), chega a conclusão óbvia de exterminar os próprios humanos. O que mais chama a atenção no androide, sem dúvidas, é sua personalidade própria que, apesar de trágica e melancólica, herda muito do senso de humor – e da falta de bom senso, em alguns momentos – de seu “pai”, Tony Stark. Sua graça é recheada de sarcasmo e soa ameaçadora. Muito disto se deve a James Spader, ator que dá vida (e a voz) de forma incrível ao robô inteligente.

O envolvimento de outros personagens que já lutaram ao lado dos vingadores em seus filmes solos é um grande gancho para enaltecer o que vem no futuro, enquanto no presente não passa de pequenas aparições com pouco tempo em tela. Já a entrada dos gêmeos Wanda (Elizabeth Olsen) e Pietro Maximoff (Aaron Taylor-Johnson) tem a devida importância estabelecida desde o início da projeção. A origem dos irmãos é passada de maneira didática enquanto os poderes são demonstrados de forma bem prática, tendo real valor na progressão dos fatos. Mesmo que bem dosados, Mercúrio acaba sendo um pouco inferiorizado pelo roteiro. O outro debutante, Visão (Paul Bettany), é incrivelmente fiel aos quadrinhos e, com sua inocência e grande poder, conquista o grande público.

avangers

Apesar de apresentar tantas qualidades, até por ser um filme de difícil execução, nem tudo é perfeito. Com seus 141 minutos, ainda é perceptível a sensação de algo faltando. A impressão de pressa e arcos sem profundidade rapidamente resolvidos fica mais evidenciada por alguns cortes precoces em cenas que acabam antes de se sentir o verdadeiro fim. Certos personagens, como Hulk e Thor (Chris Hemsworth) desaparecem completamente de sequências cheias de ação e reaparecem inexplicavelmente na medida que são necessários para satisfazer o roteiro.

O segundo ato do longa, que dá enfoque na humanidade de cada um, principalmente no Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e Viúva Negra (Scarllet Johansson), é enriquecedor para o desenvolvimento, entretanto, cai na monotonia de explicar demais a relação íntima crescente entre Romanoff e Banner que, embora soe natural, poderia ter um dinamismo maior.

Com uma parte final eletrizante, Whedon consegue, de novo, mostrar a interação alcançada entre os Vingadores trabalhando em equipe, esquecendo, naqueles momentos de necessidade, dos lampejos de divergência que culminarão na vindoura Guerra Civil. Na tentativa de ser o maior filme da Casa das Ideias, Avengers: Age of Ultron, no original, exagera na grandiloquência, mas carrega o selo Marvel de diversão e satisfação garantidas.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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