Bob Esponja: Um Herói Fora D’água

Bob Esponja: Um Herói Fora D’água

Muito embora Bob Esponja e sua turma já terem estrelado as telonas no distante ano de 2004, essa é a primeira vez que muitas crianças têm a oportunidade de acompanhar as aventuras do invertebrado nos cinemas e com as vantagens da modernidade, como o efeito 3D.

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Não que seja essencial, mas o 3D dá à animação um refino que ainda não tínhamos visto na série. Os cenários ganham profundidade e dinamismo com a tecnologia, mesmo nas dominantes cenas feitas em animação 2D convencional da TV.

A trama já tem início no formato live action, mostrando Antonio Banderas dando vida ao pirata Barba Burguer, intercalando suas cenas com as aventuras na Fenda do Biquíni. Mesmo que quase todo o material promocional do filme tenha sido baseado em tal formato, apresentando os personagens principais construídos em computação gráfica, o predominante ainda é o bom e velho desenho 2D da forma que estamos acostumados. Pode-se dizer, aliás, que quase tudo na animação funciona como o de costume na série televisiva. As piadas, as tiradas, o non-sense, as referências e as sacadas nem sempre direcionadas às crianças. Tudo isso é levado com fidelidade no longa-metragem.

Por falar em referências, o filme traz para si vários elementos de outras tendências contemporâneas com maestria e muito bom humor. Em nítida forma de metalinguagem, a Fenda do Biquíni se transforma em deserto digno de Mad Max ao ser instaurado o caos devido o fim do Hambúrguer de Siri. A mudança de cenário é instantânea e até mesmo os próprios personagens usam o termo atual “pós-apocalíptico”. Noutro momento, é perceptível a alusão com cenas de suspenses alienígenas e, no ato final, o claro engajamento na onda dos filmes de super heróis.

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Durante os dois primeiros atos, apesar de alguns exageros, The SpongeBob Movie: Sponge out of Water, no original, consegue transpor a experiência de assistir a animação da TV adaptada à grande tela com perfeição. Com a mudança do cenário, saindo da água, como sugere o título, a coisa muda de figura. A transição é feita de forma orgânica e totalmente complementar ao roteiro, seguindo uma ótima sequência. Bob Esponja, Patrick, Lula Molusco, Sirigueijo, Sandy e Plankton ganham ótimas aparências 3D e partem para o mundo dos humanos em busca da fórmula do Hambúrguer de Siri. Já na etapa final, o filme apresenta todas as cenas de ação vistas nos trailers.

Ainda que, volto a dizer, tenha alguns exageros e “viagens” no contexto, bem como raros trechos pouco inspirados que quase chegam a causar tédio, Bob Esponja: Um Herói Fora D’água consegue agradar bem perto de sua totalidade não só o público infantil, porém atinge, também, qualquer idade de amantes do personagem, tira proveito da aposta na computação gráfica e atinge o esperado sucesso.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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