A Entrevista

A Entrevista

Com a polêmica da desistência de estrear A Entrevista nos cinemas por parte da Sony e até o envolvimento do presidente Obama após ameaças terroristas, a sátira sobre o ditador norte coreano finalmente chega ao público para provar que mereceu todo o alarde mundial. Ou não.

A premissa parecia simples: enviar os personagens interpretados por Seth Rogen e James Franco, produtor e apresentador, respectivamente, de um programa de entrevistas sensacionalistas, para entrevistar o ditador mais excêntrico dos últimos tempos. A trama, porém, tem seu maior desenvolvimento quando a CIA faz contato com os protagonistas para que, mais que uma entrevista, eles façam o “favor” de assassinar Kim Jong-un, adicionando o tom de espionagem à comédia.

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Da mesma forma que outros filmes de Rogen, A Entrevista (The Interview, 2014) traz piadas sagazes que brincam com as lendas que surgem ao entorno de um governo fechado e conseguem tirar risadas dos expectadores. Na maioria das vezes, as tiradas entram com um bom timing e não se mostram descartáveis. Apesar disso, o filme sofre com o problema de ritmo. Existem sequências extremamente cansativas e de menos importância, enquanto outras são muito movimentadas e cheias de adição ao conteúdo geral. Sem contar as quase mesmas piadas de cunho racial, sexual, e as que envolvem bebidas e drogas, que já são marcas do gênero escrachado.

Rogen segue com sua atuação universal, meio abobalhado, mas com grande coração. Já Franco, embora não fuja tanto de suas características normais, cria talvez seu personagem mais caricaturado, cheio de trejeitos e exageros, uma celebridade. É, porém, Randall Park que se destaca interpretando o ditador Jong-un com o peso e a leveza contrapostas nas horas certas, de acordo com o que cada cena pede.

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Tendo como ponto forte a trilha sonora funcional, A Entrevista apresenta também cenas com conteúdo forte, não só sexual, mas com certa violência além do esperado. Mesmo que tais cenas sejam bem exploradas e funcionem bem na trama como parte da graça, crítica e sátira aos modos de vida norte coreanos, elas são a comprovação da classificação indicativa mais alta, de 16 anos.

Todo o barulho causado por esse filme antes de seu lançamento, porém, pode ter servido não só como marketing que impulsionou a viralização do mesmo, mas trouxe o revés da alta expectativa quanto ao conteúdo que, embora entregue um filme divertido, sofre exatamente por não ser épico ou inovador o suficiente para justificar ameaças terroristas às salas que o exibissem.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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