As Tartarugas Ninja

As Tartarugas Ninja

leonardo-posterraphael-posterMais de 20 anos depois dos quelônios terem invadido as telonas pela última vez, As Tartarugas Ninja ganham uma nova chance aos moldes do cinema moderno, herdando, inclusive, muitas características de filmes consagrados recentemente.

A mudança visual é a que mais chama a atenção no primeiro momento. O toque mais realista e, aparentemente, mais sombrio das tartarugas causa estranhamento naqueles que acompanham os ninjas do esgoto há anos. Tal característica, porém, perde força logo após os primeiros minutos de projeção, se mostrando pertinente e, inserida ao contexto, agrada os olhos do público. Como os personagens foram criados com a tecnologia de captura de movimentos, demonstram boas reações e feições, o que ajuda a conquistar empatia.

Embora tenha sido dirigido por Jonathan Liebesman, o filme transborda em atributos marcantes da presença de Michael Bay na produção. Como exemplo temos o foco no visual, o roteiro despreocupado, explosões, câmeras lentas e até os efeitos sonoros típicos de Transformers e a necessidade de urgência em todas as cenas. Além dos frutos de Bay, o longa traz aspectos de outros sucessos (e outros nem tanto) da cultura pop que ficaram conhecidos com a trilogia Batman de Christopher Nolan, que inspirou o mal sucedido, mais recente, O Espetacular Homem-Aranha. Destes últimos, As Tartarugas Ninja destacam um enfadonho dever de explicar demais os fatos, conceber ligações essenciais entre os personagens desde o passado, criando uma predestinação difícil de engolir.

donatello-postermichaelangelo-posterApesar do tom, Liebesman se sai bem na ação das cenas de luta com coreografias simples, porém mais limpas visualmente, mesclando com o que deveria ser o principal segmento do filme: a diversão. As piadas estão presentes, funcionam bem na maioria das vezes, mas algumas tentam, sem triunfo, arrancar sorrisos do público. O que melhor se encaixa é a relação entre Raphael, Leonardo, Michelangelo e Donatello. Eles brigam, discutem, brincam, se exibem e convencem como tartarugas mutantes adolescentes devem fazer. Suas características principais são preservadas das obras originais, cada um com sua personalidade e, como era de se esperar, Michelangelo, desastrado e brincalhão, rouba a cena. Outro destaque é Raphael, durão e mais individualista, aparentemente o mais forte.

O roteiro é preguiçoso e comete o grave erro de se apoiar demais sobre a personagem de Megan Fox, April O’Neil. Responsável pela maioria dos acontecimentos da trama, Fox reafirma sua fama de atriz mediana e não surpreende na atuação. As cenas que se escoram no drama de April são sofríveis e causam sono. O Destruidor (que parece um misto de Samurai de Prata e um Transformer) mostra-se um vilão pouco explorado pela história do filme, mas se encaixa bem no nível de dificuldade causada para os heróis.

Mesmo que atinja o objetivo de entreter o público jovem e mostre situações agradáveis aos fãs clássicos, o filme peca por não assumir uma postura mais voltada diretamente às crianças tampouco aos antigos conhecedores dos personagens. Essa imparcialidade é só mais um fator em consequência da colcha de retalhos que Bay e Liebesman montaram a partir de trunfos recentes.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *