Planeta dos Macacos: O Confronto

Planeta dos Macacos: O Confronto

Desde os primórdios da humanidade, homens e macacos carregam o fardo de um parentesco não tão distante. Ambos são considerados a evolução de uma mesma espécie primitiva, o que nos tornaria algo como primos. Tal proximidade familiar nunca foi tão bem evidenciada como nesta continuação de Planeta dos Macacos.

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Em 2011, Planeta dos Macacos: A Origem preparou o terreno, mostrou o surgimento do vírus que, desta vez, dizimou grande parte da população mundial. O elenco original ficou para trás, assim como a civilização, o governo e o império da evolução que os seres humanos se orgulhavam de terem construído. No limite dos recursos que mantém os geradores ainda funcionando, o novo núcleo humano da trama, que vive numa São Francisco em ruínas e isolada do mundo, precisa chegar a uma antiga hidroelétrica e, dessa forma, conseguir energia suficiente para abastecimento e reconstrução da sociedade. A hidroelétrica, por sua vez, se insere no território dominado pela nova corja de macacos superdotados comandados por Cesar.

Com uma primeira metade mais lenta, o filme introduz o público à sociedade símia, expõe o quanto os macacos evoluíram e desenvolveram suas casas, famílias e comunicação ao passar de dez anos. Há espaço aqui para a criação da tensão entre homens e macacos, cheio de desconfianças até mesmo intra espécies por conta desse encontro inesperado.  Neste ponto é exposto o quão similares estão os humanos, tão primitivos quando privados de suas tecnologias, e os macacos, evoluídos e organizados socialmente.

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Da metade para o fim, o confronto do título vem à tona levantando questionamentos pertinentes e de extrema crítica social. É intrínseca a ideia que a maior dádiva dada a uma espécie animal, a inteligência superior, é também a responsável, na maioria dos casos, por sua própria destruição. Essa máxima não ilustra apenas o caso dos humanos e sua gana por sabedoria, responsável pela criação do vírus símio que quase extinguiu a raça, mas tanto serve para os, agora superinteligentes, macacos que se aproximam dos homens ao ponto de desenvolverem sentimentos como inveja, vaidade, ressentimento e ira. Nesta parte se concentram as cenas de ação com direito a macacos a cavalo com metralhadoras na mão. Pode parecer estranho, mas tudo é tão bem conduzido e bem filmado que são fatores que não incomodam de forma alguma, mas pelo contrário, enchem a tela e os olhos do público.

motion captureNo quesito técnico, Dawn of the Planet of the Apes (título original) é responsável por uma apresentação digna de admiração. A direção de Matt Reeves é competente em criar expectativas e contar a história de um bom roteiro. O visual do longa é tão crível que a experiência em 3D nos faz pensar que somos parte da trama, tamanha imersão. A captação dos movimentos dos atores que interpretaram os macacos dá a sensação de suavidade e realidade, cada um dos primatas em cena realiza sua própria movimentação fluida e realista. Em especial, Andy Serkis coloca toda sua emoção vivendo mais uma vez o líder Cesar em atuação inspiradíssima, merecedora de indicação ao prêmio máximo do cinema. A trilha sonora também acertada remete, de forma branda, um tom de fantasia mais utilizada em filmes antigos, mas mescla com perfeição com sons fortes de tensão.

Planeta dos Macacos: O Confronto tem um roteiro bem escrito e conduzido. Um tanto quanto longo, com suas duas horas e dez minutos, mas o bastante para desenvolver de forma satisfatória as características das duas raças que, embora separadas por milhares de anos de evolução, são tão similares. O filme cumpre a promessa do título e deixa brecha para reflexão ou, até mesmo, continuação. Deixa também a sensação de efeitos visuais insuperáveis no quesito de reprodução de seres com captura de movimento e, é claro, todos os questionamentos sobre a inteligência das espécies, em privativo a nossa.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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