X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

Com uma das trilogias mais controvérsias do cinema, a equipe de mutantes que, originalmente, também demorou a emplacar até nos quadrinhos, sem esquecer do mais recente e acertado X-Men: Primeira Classe, finalmente se destaca em uma aventura que honra a memória dos personagens.

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Além de não representarem, nem de perto, os personagens como o público estava habituado, os primeiros longas culminaram ao fim desastroso em X3: O Confronto Final, matando vários personagens importantíssimos para a equipe. Os spin-offs com Wolverine (Hugh Jackman), ressaltando o que conta sua origem, ainda pioraram a situação e deixaram os X-Men com uma cronologia segmentada e sem lógica. Enfim, é impossível abranger Dias de um Futuro Esquecido sem relembrar os fatos que nos fizeram chegar aqui. Futuro caótico, viagens temporais e mudanças na história são premissas perfeitas para passar a borracha na vergonhosa narrativa anterior dos mutantes.

Falando em futuro caótico, as cenas de ação mais bem coreografadas acontecem nesse período. Com um grupo de mutantes mais maduros, que se conhecem bem e lutam juntos há muito tempo, o futuro reserva momentos que, pela primeira vez, devolvem o sentimento de ver os verdadeiros X-Men agindo na telona. Blink (Fan Bingbing), mutante capaz de abrir portais, cria um dinamismo incrível para maior interação dos heróis em cena. Os Sentinelas futuristas também são responsáveis por belos efeitos especiais, enriquecendo a parte técnica do filme.

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No núcleo do passado, o elenco de peso que repete Michael Fassbender como Magneto, James McAvoy como Professor Xavier e Jennifer Lawrence como Mística e apostando neles, Dias de um Futuro Esquecido concentra todo o desenvolver da trama e adiciona quantidade suficiente de tom dramático para valorizar o roteiro tirando vantagem das atuações, embora seja mais focado em consertar os furos deixados pelos seus predecessores. Com Mercúrio (Evan Peters) fica o cargo de alívio cômico, realizado com uma sequência muito bem conduzida e divertida.

Com um objetivo bem traçado e algumas cenas mais fortes, é perceptível o avanço em termos de maturidade e seriedade que X-Men conquistou nessa continuação. A relação que o roteiro faz com fatos históricos, como a guerra do Vietnã e o assassinato de John Kennedy, é outro ponto que aproxima mais a película da realidade, uma jogada inteligente para aumentar a afinidade com o público. Dando suporte na condução da trama, a trilha sonora é bem acertada e marcante em vários momentos. Além de criarem o clima de anos 70, os fãs mais saudosos puderam notar uma música parecidíssima com a do desenho clássico de 1992.

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Embora o retorno de Bryan Singer à direção tenha trazido glória aos mutantes, nem tudo é perfeito. Com a limpeza cronológica disposta, ficou subentendido o que realmente aconteceu com a história dos filmes anteriores. Mesmo antes da mudança dos fatos, não fica claro, em momento algum, o que foi ignorado e o que foi mantido. Também faltam informações acerca de personagens desaparecidos ou esquecidos. No fim das contas, X-Men: Days of Future Past (título original) tem balanço positivo e agrada em praticamente tudo. Ainda não beira a perfeição do universo mutante, porém deixa a prévia do próximo enredo na cena pós-crédito com a esperança de manter o bom trabalho daqui pra frente. E como não poderia deixar de ser, após o bom desenvolvimento, os últimos segundos de projeção pré-créditos mostram um detalhe totalmente suspeito e sem sentido que causam uma reviravolta inesperada e incompreendida. É, como diz Wolverine em uma das últimas cenas: “Certas coisas não mudam nunca…”.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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