O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro

O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro

amazing_spiderman2_posterO Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro chega aos cinemas na sombra de seu antecessor, que de espetacular só tinha o título. Vindo para reforçar o novo tom de amigo da vizinhança, o longa mostra um herói brincalhão e jovial, que faz piadas e conversa com o povo que se preocupa mais em assistir o aracnídeo que correr pela própria vida. Adotando, porém, uma pegada mais descompromissada, assume o colorido do universo do aranha e deixa de lado a atmosfera dark proposta pelo anterior.

Com um visual incrível, podemos dizer que os quesitos técnicos são dignos de levarem a fama pelo nome de Espetacular desta vez. Balançar em teias pela cidade nunca foi tão imersivo. Com um 3D impecável, The Amazing Spider-Man 2 (no original) abusa das cenas em que o Homem-Aranha aparece pulando, quase voando, de corpo inteiro na tela, para aguçar a sensação de projeção da imagem para próximo dos olhos de quem assiste. As cenas são conduzidas com belas fotografias que dão exata noção de ambientação. O uniforme do Homem-Aranha (Andrew Garfield) foi muito bem escolhido, o que não pode ser dito do péssimo Duende Verde (Dane DeHaan). Já Electro (Jamie Foxx), embora tenha me lembrado do Dr. Manhattan (Watchmen), tem uma aparência convincente, mesmo que materialize seu corpo já com roupas.

A trilha sonora de Hans Zimmer não é das melhores do compositor, mas cumpre o papel na maioria das cenas, em especial as de confronto com Electro. Nos momentos em que o vilão de Jamie Foxx está em cena, a música causa até certo desconforto, demonstrando, entretanto, o poder do inimigo com um som pesado e atordoante.

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É uma pena que as qualidades de O Espetacular Homem-Aranha 2 sejam apenas essas. Quando o assunto é roteiro, tudo muda de figura. Empenhado na continuidade e resolução da fraquíssima história abordada no filme anterior, temos de volta, como centro da trama, o envolvimento do pai de Peter Parker com a Oscorp. A empresa, aliás, continua sendo o foco para todos os acontecimentos relevantes e surgimento de vilões.

Os personagens de Peter Parker, bem como o Homem-Aranha, e Gwen Stacy (Emma Stone) estão mais consolidados desta vez. Já o desenvolvimento dos outros não foi bem trabalhado. Electro é o que mais chega a ter um perfil psicológico apresentado, mas após o acidente que o transforma em vilão, suas motivações surgem rapidamente como se o público fosse obrigado a engolir o roteiro que ora peca pela explicação exagerada e cansativa da tal predestinação de Peter em se tornar herói, e ora se contrapõe em pecar por dar nenhuma base à seus antagonistas. Falando, a propósito, na questão de Peter parecer ter nascido com a sina de se tornar o Cabeça de Teia, o filme insiste nesse contexto e tenta se explicar, também sem convencer.

Espetacular Homem Aranha 2

Embora a ação tome conta de boa parte da projeção, os momentos reservados para o desenvolvimento da trama causam sono, em especial no segundo ato. Mesmo que o roteiro de Alex Kurtzman, Roberto Orci e Jeff Pinkner pareça ter a necessidade de criar grandes problemas todo o tempo, os mesmos são resolvidos de forma tão simples que soam como desleixo na produção. A cena de maior emoção, inclusive, leva a um breve afastamento do herói que, em seguida, já retorna para brigar nas ruas.

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A Ameaça de Electro é, em suma, superior ao seu antecessor, deixando, ainda, esperanças para que o próximo consiga envolver um arco diferente do já visto e esqueça a história maçante dos dois primeiros. A experiência do cinema é válida pela imersão e espetáculo de som e imagem, mas não foi dessa vez que tivemos um filme definitivo do Cabeça de Teia. Vale ressaltar que o longa deixa brechas não só para continuação (já confirmado como uma quadrilogia), contudo cita uma reunião de inimigos também já anunciada pela Sony como o filme do Sexteto Sinistro.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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