American Hustle

American Hustle

Máfia, vigaristas e paixões junto ao cenário estadunidense pós renuncia de Nixon são os principais ingredientes do filme “American Hustle” que conta com um elenco de peso, a direção de David O. Russel e o roteiro de Eric Warren. A trama faz uma releitura intimista de uma operação do FBI de 1978, a qual contou com Melvin Weinberg (transformado em Irving Rosenfeld no longa) como informante.

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O filme começa com uma atmosfera intrigante e engraçada onde já se pode notar muito de quem é Irving Rosenfeld (Christian Bale): um golpista com sentimentos aflorados e um jeito bastante peculiar.

Essa peculiaridade de Irving é essencial para seu sucesso como vigarista e o que atrai Sydney (Amy Adams), outra trapaceira nata. A narrativa sem linearidade busca mostrar a história de uma forma diferente e combina bastante com a composição dos personagens, além de mostrar inspiração no jeito Scorsese de fazer filmes.

A partir da união Sydney e Irving vamos sendo introduzidos aos demais personagens e ao desenrolar da história, sempre com uma boa dosagem de olhares intimista e geral, o que deixa a narrativa ainda melhor: não existem personagens ou situações boas ou ruins e sim a busca generalizada, onde cada um a faz de sua maneira, pela felicidade e dinheiro em uma época não tão feliz.

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O filme tem recebido críticas negativas e não é raro ouvir muita gente dizendo que “esperava mais” quando acaba de se sair do cinema, entretanto a qualidade do longa é inegável pra quem gosta desse tipo narrativa. As atuações são divertidíssimas (com destaque para os coadjuvantes Bradley Cooper e Jennifer Lawrence), o cenário é bem composto, o figurino impecável e a trilha sonora vai ficar na sua cabeça por um bom tempo.

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É notável como grande parte das críticas apontam que o filme é longo e cansativo, parecendo não enxergar a metáfora existente no passo lento da trama: as pessoas do filme vivem uma realidade irreal, onde não se sabe quem diz a verdade e quem mente; a década de 70 foi um período conturbado para os Estados Unidos, permeados de acontecimentos desastrosos na economia a qual contou com duas crises do petróleo (1973 e 1979). Essa realidade de descrença e desilusão se somam às movimentações no mundo da música que vive a era a do Disco na busca pela fuga do real e vivencia do que se gostaria: cores, ritmo acelerado e dançante.

Toda essa composição é encontrada em “American Hustle”, e sem deixar nada a desejar; talvez o problema não esteja no filme e sim em seus expectadores que estão muito acostumados a fórmula pronta, pouco exigente e riso escrachado do cinema hollywoodiano.

Larissa Lotufo

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