Como Não Perder Essa Mulher

Como Não Perder Essa Mulher

DON JONJoseph Gordon-Levitt (500 dias com ela) é um ator que vem conquistando seu lugar ao sol, meio aos astros de Hollywood. Tentando despontar sua carreira não só interpretando personagens, alça seu primeiro voo mais longo e se arrisca, logo de cara, na direção de um filme onde também escreveu o roteiro. Versatilidade é uma característica dele, já que em Como Não Perder Essa Mulher (Don Jon, no original), Gordon-Levitt, protagonizando o longa, encarna um verdadeiro Don Juan, pegador das baladas.

A escolha do tema foi ousada, tratando de um assunto nada usual. Johnny (Gordon-Levitt) é um viciado em pornografia na internet e, por mais que sempre tenha a mulher que quer, não deixa de pensar que a realidade nunca chegará aos pés do que vê pelo computador. Obcecado por sua rotina, seu apartamento, carro, corpo e festas, Johnny e seus companheiros de noitadas classificam as mulheres que encontram com notas de 0 a 10, sendo que para ele, manter uma média de mulheres acima de 8 é o ideal.

Scarlett Johansson

Quanto às atuações, comentários podem ser poupados. Scarlett Johansson faz uma irresistível mulher no estilo arrasa-quarteirões, classificada como uma nota 10 pelo nosso Don Juan (e não só por ele, acredito eu). O casal Tony Danza e Glenne Headly dá show como os pais de Johnny e, muitas vezes, salvam as partes menos empolgadas da história. Julianne Moore, vista recentemente em Carrie – A Estranha, entra como mulher mais madura que mudará o desenrolar da trama e se mostra igualmente competente.

Considerando a estreia na direção, o filme conta com elementos interessantes. A caracterização do ambiente compõe muito bem a atmosfera do universo cinematográfico representado. Além disso, Gordon-Levitt se saiu bem na escolha da maioria da fotografia e posição de câmeras, sendo algumas bem diferenciadas de cenas convencionais. Outro acerto fica por conta dos cortes rápidos e trilha sonora, principalmente nos momentos que Jon escolhe sua próxima vítima na balada e nas horas que se “droga” com seu vício frenético. Embora tudo isso pareça entregar um excelente filme, nem só de acertos vive o jovem diretor. A trama começa com um ritmo interessante, passagem temporal inteligente, cenas rápidas. Porém, essa qualidade acaba se tornando o maior inimigo de Don Jon. O filme não consegue manter esse ritmo por muito tempo e, do meio para o fim, se torna uma experiência um tanto maçante, que parece se arrastar.

Joseph Gordon-Levitt

Mesmo que a temática soe com banalidade, o drama existe e tem seu valor. Atualmente a sociedade demonstra mais interesse no que é virtual, cria estereótipos de vidas – e mulheres – perfeitas de acordo com o que veem na internet. Infelizmente faltou ao inexperiente Gordon-Levitt uma profundidade maior para atingir a mensagem proposta. O personagem tem seus problemas, passa pela reviravolta, percebe que a felicidade está longe daquilo que imaginava, mas tudo de modo um tanto raso, ainda que seus apenas 90 minutos pareçam se multiplicar na reta final.

Como Não Perder Essa Mulher não entrará para a lista de grandes filmes do ano, mas é válido como a primeira experiência de um diretor com potencial, que tem visão, boas ideias e que já demonstrou, mesmo que timidamente, sem tanta originalidade, se dar bem não só na frente, mas também atrás das câmeras. Faz valer o ingresso pelo elenco envolvido e pelo clima contemporâneo, linguagem jovem e intenção ousada.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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