Os Estagiários

Os Estagiários

Com o acerto da fórmula criada em 2005 no filme Penetras Bons de Bico (Wedding Crashers), Owen Wilson e Vince Vaughn trazem de volta a dinâmica dos dois amigos com técnicas nada convencionais de ganhar a vida. O tema da vez é a gigante da tecnologia, Google, que acaba realizando um dos maiores filmes comerciais do cinema.

O gênero da comédia tem enfrentado constante desgaste em Hollywood, corriqueiramente apelando para temas amorais, violentos e sexuais. Distante dessa vertente, Os Estagiários (The Intership) leva às telas o humor baseado em tiradas, diálogos rápidos e improvisações, bem como algumas loucuras provindas das personalidades dos personagens e sobre as “lendas” de se trabalhar no Google. Mesmo com essa aposta contextual, o filme não traz nenhuma novidade e entrega uma obra de teor bem mais leve e juvenil se comparada a Penetras Bons de Bico. Visto que a empresa de Mountain View tem uma reputação a prezar, fica subentendido que muitas piadas e sequências mais espontâneas e de cunho adulto tenham ficado de fora.

Com um começo lento e fraco, a história desenrola-se ao redor dos dois vendedores de relógio de luxo que, com a chegada da tecnologia, tornam-se inúteis como intermediários de venda. Na procura por uma vida nova que os integre aos conhecimentos atuais, os personagens de Wilson e Vaughn acabam em um programa de estágio do Google. Nesse ponto as sequências começam a empolgar um pouco mais, arrancando risadas tímidas dos espectadores. O ponto alto, mas também repetitivo, é a satirização dos “velhos” companheiros deslocados no universo da informática, rendendo várias piadinhas com a falta de conhecimento dos dois vendedores obsoletos.

A medida que o roteiro se desenvolve, apresenta-se o drama contido na proposta, como toda comédia voltada para família, onde deve haver uma superação para o final feliz. Embora siga a risca como determina a fórmula, aqui as coisas melhoram e garantem mais risadas, de forma que a química entre os atores proporciona uma relação de confiança entre público e filme, assegurando maior facilidade de empatia com as cenas, causando sensação de satisfação, mesmo com a ausência de grandes momentos memoráveis.

No geral, fazer rir não é a única finalidade de uma comédia, embora talvez seja a principal parte dela. Acima de tudo, mostrar uma trama leve e, seja com piadas, seja com a sintonia dos protagonistas, divirta aqueles que assistam. Nesse quesito, Os Estagiários cumpre o papel, ainda que não repetindo o sucesso de bilheteria do antecessor de 2005.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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