Círculo de Fogo

Círculo de Fogo

Finalmente a coragem que vinha ausente por muito tempo das terras hollywoodianas voltou a dar as caras graças a Guillermo Del Toro (Blade II, Hellboy), idealizador e diretor de Círculo de Fogo. Além de não ser uma adaptação de outra mídia, Pacific Rim (título original) se abstém das métricas e regras saturadas da indústria cinematográfica atual e entrega aos fãs do gênero consagrado na década de 80, o tokusatsu, uma verdadeira carta de amor e fidelidade.

Sem rodeios e pormenores, o roteiro entrega uma história pronta e deixa de lado a necessidade da explicação exacerbada, dos porquês e introduz o público com uma apresentação rápida direta no ponto que importa: monstros gigantes, denominados Kaijus, têm saído de uma fenda submarina no pacífico e destruído as cidades litorâneas. Depois de alguns registros de ataque de tais criaturas, os governos se reuniram pra criar seus próprios monstros, robôs tão gigantescos quanto os Kaijus, que ganharam o nome de Jaegers.

Toda a extensão do filme se mantém com essa fórmula de “bate-pronto”, apresentando grandes problemas para, logo em seguida, agraciar e amenizar com momentos de vitória e satisfação. Fórmula a qual é totalmente fiel aos seriados que inspiraram Del Toro para esse longa, os saudosos Ultraseven, Changeman, e já mais recente Power Rangers, são exemplos. Sempre que algum perigo é evidente, um drama é criado e, como recompensa, uma solução emerge das profundezas para dar ao público aquilo que, embora todos esperem, nada nos faria mais feliz naquele momento. E não havia melhor jeito de demonstrar isso não fosse uma espada guardada em um dos Jaegers que só foi revelada no momento de maior precisão.

Os personagens também dispensam acompanhamento prévio e maior aprofundamento em suas personalidades. Isso tudo é feito de forma sutil e de acordo com o passar das cenas, sem preocupação. Pode até parecer um desenvolvimento raso, porém não devemos esquecer que temos aqui um filme essencialmente de monstros e robôs gigantes. Nesse quesito, a trama traz consigo um incrível esmero e ansiedade pela entrega perfeita da proposta. A ação é impressionante, não deixando brechas para que alguém, em sã consciência, consiga tirar os olhos da tela. Tudo é tratado com extrema seriedade quando o assunto é visual, seja nas lutas, seja no design tanto exterior quanto interior dos Jaegers, ou ainda na fotografia do filme. Os efeitos visuais são tão críveis que nem parecem ficção apenas, mas fazem o expectador acreditar na cena. Com toda a escala colossal apresentada em Pacific Rim, o 3D, mesmo que convertido, garante uma experiência muito mais importante que apenas um efeito legal que deixa o ingresso mais caro. A profundidade causada pela estereoscopia cria uma noção mais realista do tamanho dos objetos na tela, ajudando a entender o quão enorme – ou pequeninas – são as criaturas em cena. Os sons são um capítulo à parte. A trilha e efeitos sonoros são igualmente pesados e lentos, garantindo o envolvimento e imersão contextual.

Embora os fatores apresentados até então funcionem tão bem, o fato de Del Toro apostar em atores sem nomes expressivos no mercado cinematográfico pode ser considerado um ponto negativo do filme. Mesmo apresentando desempenho satisfatório para a proposta, falta o carisma que o público costuma ter com rostos conhecidos, elemento que culminou no montante apenas bom que Círculo de Fogo arrecadou nos cinemas. Além disso, o mal costume do grande público que viciou-se na necessidade de histórias profundas e elaboradas pode ser um inconveniente capaz de transformar essa obra em algo simples demais, o que não é exatamente um problema.

Ainda que tenha desencontrado o verdadeiro sucesso de bilheteria, Pacific Rim já alcançou sua posição entre os blockbusters que não serão esquecidos ao longo dos anos. A equipe do Censura Geek, por mim representada, aguarda esperançosa por uma possível continuação e desfecha afirmando: eis um filme para toda a vida!

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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