Gears of War: Judgment

Gears of War: Judgment

No ano de 2006, o Xbox 360 sofria com a falta de exclusivos de peso, algo que mostrasse do que o console era capaz. Eis então que chega Gears of War, com seus belos gráficos e com um gameplay que popularizou o sistema tático de cobertura. Por três jogos acompanhamos a saga de Marcus Fênix, um ex-prisoneiro militar, na sua luta contra seres conhecidos como Locust, que surgiram das profundezas do mundo de Sera e pareciam ter como único objetivo: matar todos os humanos. Após o final da trilogia, não havia muito caminho para o seguir com a trama. Então a Epic Games faz algo completamente inesperado e confia a produção do próximo jogo da franquia a outro estúdio, a People Can Fly, que criou então Gears of War: Judgment. Protagonizada pelo personagem Baird, são relatos de acontecimentos prévios aos jogos originais da série.

Eu vou ser sincero e falar que não liguei muito quando o jogo foi anunciado, pois achei na época que era só um spin-off fraco para tirar mais algum dinheiro dos gamers antes do final dessa geração. Mas após terminar a campanha principal e dedicar horas no multiplayer eu posso dizer: Judgment é um verdadeiro sopro de ar fresco para a série, tornando-a muito mais intensa do que era antes.

Tudo começa com os integrantes do esquadrão Kilo sendo levados para um tribunal militar para serem julgados por diversos crimes de guerra, incluindo traição. Acompanhamos então o relato de cada membro do grupo para entendermos o que os levou a terminarem naquela situação.

Uma reclamação que ouvi muito sobre os títulos da série foi que os personagens eram muito desengonçados e o controle era “duro”, parecia estar controlando elefantes com metralhadoras. Isso foi melhorado. A movimentação se tornou mais dinâmica e ágil. Agora somente é possível levar duas armas de cada vez e com o apertar de um botão, pode alternar entre elas. No começo achei isso um tanto limitador, mas com o tempo acabei me acostumando. Além de possuir algumas armas novas, agora há a possibilidade de usar qualquer uma delas em combinação com os escudos, algo que antes só era possível com as pistolas. Quer destroçar inimigos com um lança-granadas enquanto está seguro atrás de uma parede de metal? Sem problemas.

Em alguns momentos da campanha, hordas de inimigos virão contra os jogadores que devem preparar um ponto de defesa com armadilhas e armas automáticas para resistir as ondas de ataque. Esse modo que antes era parte do multiplayer, se tornou uma boa adição na campanha principal. Dependendo de quão bem se sair em cada luta, é possível conseguir uma pontuação definida em estrelas, que darão níveis e bônus, mas que, infelizmente, servem apenas para fazer uma customização estéticas dos personagens para o modo multiplayer. Os inimigos mudam toda vez que for jogar novamente a mesma batalha, forçando você a ter que se adaptar constantemente a situação. Mas o que mais chamou a atenção é a possibilidade de ativar a desconfidencialização de uma missão permitindo assim modificar, até certo ponto, os desafios que irá enfrentar. No começo de cada fase, é possível ver o clássico logo dos Gears. Se for ativado, irá colocar mais perigos, como inimigos mais fortes, menos munição disponível, restrição de armas, visão debilitada e muitas outras situações que irão testar suas habilidades como gamer. Eu me senti compelido a ativar todas, como se estivesse sendo colocando à prova.

Esquadrão Kilo mostrou do que é capaz com a liderança de Baird.

Os gráficos estão belíssimos, algumas vezes eu parava apenas para admirar a paisagem, que nem mesmo com toda a destruição da guerra conseguiu ser apagada. A dublagem está com uma qualidade fantástica, em nenhum momento liguei de não estar ouvindo as vozes clássicas. Aliás, foi incrível reconhecer alguns de nossos dubladores. Foi como ver um bom filme de ação da minha infância novamente.

Apesar de possuir apenas dois membros do grupo antigo, os novos personagens são carismáticos e conseguem marcar sua presença, apesar de não possuírem muita profundidade. A história é solida o suficiente para se sustentar, mas possui um final um tanto medíocre, o que eu diria que é um dos pontos fracos do jogo. Trazendo uma trama que tem potencial para criar algo bom, mas acaba se revelando genérica. Ajuda a expandir o universo do game, mas não irá marcar por muitos anos. A batalha contra o último chefe, chega a ser bem fraca. O vilão, o general Karn, que constantemente dizem o quanto ele é terrível e sanguinário, nem chega a ser desenvolvido, e acaba parecendo ser só mais um inimigo qualquer.

Além da campanha principal, há uma mini campanha chamada de Aftermatch, que conta o que aconteceu com Baird e Cole depois que eles se separaram do resto do grupo em Gears of War 3. Não adiciona nada de muito importante na história, servindo apenas para dar mais algumas horas de jogo e sanar a dúvida sobre o que aconteceu sobre certos personagens que não estavam presentes durante os três primeiros títulos da série.

O Multiplayer por outro lado teve uma boa adição com o modo Overrun. Nesse modo, os jogadores que controlarem as criaturas Locust deverão destruir certos pontos que estarão sob proteção dos jogadores controlando membros da CGO. Um sistema de classes foi criado, cada um com armas e habilidades bem distintas como meios para curar seus companheiros, fornecer mais munição, consertar barreiras, entre outros, o que torna o trabalho em equipe necessário e bem divertido. Infelizmente muitos outros modos não consegui jogar pois era necessário adquirir certas expansões, o que achei um pouco frustrante.

Novo e intenso são palavras que eu usaria para descrever Gears of War: Judgment. A história, para mim, é algo que poderia ter sido mais bem trabalhada. Mas mesmo sem acontecimentos tão marcantes, como os dos últimos dois jogos, ou a falta de um vilão decente, as melhorias no controle, gameplay mais ágil e um novo modo multiplayer bem interessante, me deram muitas horas de diversão. Com inovação e muita ousadia, Judgment está ai para mostrar que a série ainda não acabou e que tem poder de fogo para mais jogos.

Leonardo Belisqui

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