Super 8

Super 8

Escrever um roteiro sobre invasão alienígena é um processo que exige uma série de cuidados e atenção redobrada, pois existe uma linha tênue entre uma suspensão de crença aceitável e um exagero característico dos vários filmes já produzidos com essa temática. No entanto, J. J. Abrams (Star Trek Into Darkness) quase conseguiu fazer com que Super 8 permanecesse bem em cima dessa corda bamba.

capaO diretor de Lost se junta a Steven Spielberg na produção da película que começa bastante empolgante. Em Super 8, um grupo de crianças de uma pequena cidade do interior dos EUA se reúnem em uma estação de trem afastada da cidade para gravar um filme sobre zumbis, o que eles não esperavam era o que estava por vir. Um acidente com uma locomotiva das forças armadas quase mata os seis jovens e deixa uma carga misteriosa à solta.

A partir desse instante todo o conhecido brilhantismo de Abrams é deixado de lado, apesar da história coerente e sem muitos furos, a trama é rasa e em muitos momentos vazia, com exceção da cena do acidente – essa sim merece reconhecimento – todas as outras não vão além de soldados atirando em todas as direções e paredes sendo destruídas sem muito propósito.

Por outro lado, a atuação de Joel Courtney, Elle Fanning e Riley Griffiths não é surpreendente, mas a maneira com que lidam com os dramas familiares, que parecem desviar o foco principal do filme a todo momento, é bastante convincente e realista. Porém, essa é mais um questão que enfraquece o enredo, em momento algum essas crianças demonstram características que lhes proporcionem salvar o mundo de uma invasão alienígena.

Vale ressaltar que a película concebe um alienígena totalmente fora das concepções humanas, bem distante da figura humanoide que tomamos como base universal e única para um ser inteligente – que é um ponto positivo, porém aposta na ideia de que a criatura está sendo hostil porque foi torturada por anos e agora está com emocional abalado, mais uma vez colocando humanidade onde não deveria, desagrada bastante.

Apesar da tentativa de criar um roteiro que lembrasse as obras dos anos 70 e 80 de Spielberg (Os Goonies e E.T. – O Extraterrestre), Abrams passou bem distante de seu objetivo. Super 8 é empolgante e prende a atenção apenas nos minutos inicias, dando espaço posteriormente para uma trama rasa com ápice nos dramas familiares dos protagonistas, criando assim muito mais um clássico da Sessão da Tarde do que uma obra cinematográfica atraente.

Adan Santos

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