God of War: Ascension – Kratos sorriu!

Com pouca empolgação, demorei pouco mais de duas semanas enrolando para zerar o jogo que concluí ser muito curto. Quando finalmente vi as últimas cenas de God of War: Ascension só pude pensar que sim, o tempo de Kratos já passou. Com cerca de 8 horas de jogatina, na dificuldade normal (que está mais pra fácil), terminei o game que veio para mostrar mais do mesmo. A fórmula violenta que trouxe sucesso à série iniciada no Playstation 2 não foi eficaz dessa vez, porém. Não para mim. Minha experiência com o sexto título da série foi enjoativa e só valeu a pena depois de metade do jogo que tem o gostinho e a essência dos lançamentos anteriores, mas nem de longe é o melhor.

Fui introduzida à trama com belas animações de poucas cores, mas que de cara me aborreceram com uma apresentação rápida e bem mastigada sobre as Fúrias, as vilãs sem graça. Ascension não é nada senão um prefácio cuja narrativa exibe eventos anteriores à God of War. Embora tenha achado a história muito chata, acredito que alguns pontos muito importantes para a saga do vingativo espartano tenham sido adicionados. Evitarei spoilers, tudo bem? E não direi que o jogo é ruim, leitores, muito pelo contrário. Mas eu não me satisfaço com histórias ruins. Um resumo da trama: o Fantasma de Esparta, após assassinar sua esposa e filha, resolve abolir seu trato com o deus Ares e decide voltar para casa, sem nenhum motivo aparente (rebelde, não?). E aqui entra o trio das Fúrias, criaturas que vivem somente para perseguir e torturar qualquer ser que rompa um acordo com um deus. Com o careca não foi diferente. Mas, vejam só, o bom e feio moço Orkos, cria de Ares com a rainha das Fúrias, alerta Kratos sobre os perigos que se aproximam. Perturbado por visões confusas, tão confusas que desordenaram até o meu raciocínio, o assassino de deuses parte em busca da verdade, guardada pelo Oráculo de Delfos. E é isso. Acompanhei mais uma vingança de Kratos com uma série de cenas embaralhadas e complexas, donas de uma cronologia descontínua. Me peguei perdida, sem saber o que era passado, presente ou futuro. Mas se você, em oposto ao que eu penso, aceita um game de pura brutalidade e gráficos incríveis, ignore a história e vá em frente. Você vai se divertir muito.

Dublagem muito boa, não é mesmo? 

A arte do jogo é belíssima e única. Os gráficos ganharam uma evolução considerável e me deixaram de queixo caído com detalhes e construções grandiosas e fenomenais. Meus olhos até brilhavam quando usava a manipulação do tempo para reconstruir ou destruir partes do cenário. Ah, a trilha sonora! Não há como apontar defeitos nas composições que, combinadas com cenas de ação e de mortes ainda mais brutais, definitivamente me levaram para dentro do universo de God of War. As batalhas com chefes são poucas, mas me envolveram de maneira ímpar com muita interação e câmeras dinâmicas. Principalmente na última batalha, magnífica! Tenho que reclamar, porém, da câmera afastada que não me causou a “sensação de cinema”, mas sim muito desgosto. O protagonista tornava-se quase um pontinho branco na tela dentre diversos inimigos (pontinhos coloridos), e isso me limitou a apertar os botões do controle freneticamente sem nem ao menos conseguir distinguir o que acontecia.

Outra particularidade do game pode até causar antipatia nos jogadores mais fiéis, mas eu a vejo como um item necessário para a compreensão da história de Kratos. Há cenas de carinho e sofrimento e, se querem saber, foram as que mais me agradaram. O herói é exposto como um homem ainda inexperiente e, arrisco dizer, sensível. Por que não? O espírito furioso e impiedoso do espartano não é a única coisa escassa no game, considerando a redução das armas, habilidades e magias. Acho perfeitamente compreensível já que, cronologicamente, Ascension é o primeiro capítulo da série. Somente as Lâminas do Caos estão à disposição, além de armas secundárias, que oferecem pouquíssimos combos, espalhadas pelo chão aqui e ali. As magias mudaram e funcionam como um complemento paras as Lâminas: Fogo, Gelo, Raio e Almas mudam os ataques da arma principal, e os especiais são habilitados depois de cada poder ter sido evoluído, com os orbs vermelhos, em mais de 2 ou 3 níveis. A Pedra da Jura, artifício garantido por Orkos, é a única habilidade nova, que cria um clone de quem a domina.

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Kratos e sua “esposa”. Ai que dó.

Os puzzles, como sempre, me garantiram muito entretenimento com desafios bem trabalhados, exigindo de mim uma pequena pausa para pensar. O que desanimava eram os combates tediosos, cheios de dezenas de inimigos que não acabavam nunca. Eles sequer possuem muita variedade. Mesmo com a necessidade de estratégias mais elaboradas durante os conflitos, consequência da mudança dos combos, a ideia de bater, bater e bater por muitos minutos antes da possibilidade de encontrar um quebra-cabeça me desencorajava e muito.

Talvez a inovação do título tenha ficado por conta do modo multiplayer que, cá entre nós, nem achei tão legal. Não o suficiente para desembolsar muitos reais. Mas não é de todo ruim. Antes de o jogador entrar em batalhas online de até oito players, ele tem de escolher um dentre os quatro deuses, Poseidon, Ares, Zeus e Hades. Isso diferencia os estilos de luta dos personagens. De resto, não vi nada dissemelhante de outros multiplayers espalhados por aí. Personalização de armas e armaduras, mapas com foco em número de mortes ou de conquistas… Tudo isso já tinha visto.

Quando penso nos eventos que revelaram um Kratos mais humano, gosto dez vezes mais de Ascension. Nunca imaginei que veria o careca sorrindo. Esse é o fato que fez com que valesse a pena jogá-lo até o fim. E, é claro, não nego que também gosto de porradaria da boa, mas não teria paciência para zerar o game mais uma vez. Infelizmente, tenho de admitir que já não vejo futuro para a saga do espartano. God of War: Ascension tem tudo o que um fã quer, porém. Só não espere nada novo no quesito jogabilidade. Mesmo que em uma relação de amor e ódio com o último lançamento da série, eu o recomendo especialmente para quem, assim como eu, sonhava em ver Kratos com um coração humano batendo no peito. É emocionante.

Thais Soares

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