Wolverine – Imortal

Embora seja um dos personagens mais aclamados das HQs, a honra de Wolverine havia sido manchada, em 2009, com X-Men Origins: Wolverine, filme de roteiro pífio que tentou mostrar como o herói se tornou o animal – ou nem tanto, cinematograficamente falando – que conhecemos. Por falar nisso, não há melhor lugar no mundo para se tratar do assunto que o Japão e sua forte cultura de ninjas e samurais que defendem a honra de suas famílias.

Dessa vez, Logan (Hugh Jackman) tenta suprimir Wolverine a levar uma vida isolada com seus pesadelos recorrentes que não o deixam esquecer Jean Grey (Famke Janssen), mas a tranquilidade acaba ao ser encontrado por Yukio (Rila Fukushima) que o pede para acompanhá-la ao Japão para rever um velho amigo. Todo o roteiro tem base em uma das HQs mais conhecidas, Eu, Wolverine, de Chris Claremont e Frank Miller, porém sofrendo as adaptações necessárias e já conhecidas do cinema.

Com um filme mais “pé no chão”, sem foco em trazer diferentes mutantes e poderes para a trama, sobra mais espaço para o principal: desenvolver melhor os personagens, dar profundidade aos sentimentos de Wolverine, mostrar o conflito interno da culpa pela morte de Jean que levará consigo pela eternidade. O enredo dá preferência ao nascimento da relação entre Logan e Mariko Yashida (Tao Okamoto), aflorando um lado mais humano do personagem.

Com cenas de luta com espadas, facas, arcos e flechas, o longa acaba por trazer o universo dos mutantes para mais próximo da realidade, tirando um pouco do peso da fantasia e tornando tudo muito parecido com um filme de ação convencional, incluindo uma sequência de luta em um trem-bala de causar inveja em James Bond. Até mesmo por tratar da – exagerada – imortalidade de Logan e da falta dela, o herói fica enfraquecido e sofre consequências de seus danos físicos, dando ainda mais proximidade a realidade no decorrer dos fatos. Tais fatores contribuem para que The Wolverine (título original) fique mais centrado e não perca a mão nas dosagens do universo fantástico. As lutas são bem coreografadas e o mutante não mede esforços para cravar suas garras nos inimigos, porém demonstra, ainda assim, algum senso de justiça em deixar passar algumas situações.

A adaptação de roteiro mostra uma história simples, sem grandes reviravoltas, com planos bem explicados e momentos que já sugerem o que está por vir. Mesmo sem complexidade, a trama flui bem. Em nenhum momento dos seus 126 minutos o filme se torna maçante ou difícil de engolir. A vilã Viper (Svetlana Khodchenkova) é apenas satisfatória para o papel no enredo e nem chega a ser muito desenvolvida, embora tenha participação fundamental desde o princípio. Já o Samurai de Prata, aqui um robô, desaponta os conhecedores das histórias em quadrinhos. O robô gigante se reserva apenas para o clímax e causa danos permanentes ao universo de Wolverine.

Wolverine – Imortal talvez não seja ainda o filme definitivo do herói, faltam momentos mais épicos e cenas que realmente impressionem pela importância e grandiloquência. Entretanto, é uma boa história, boa película, que conta de forma concisa a passagem do imortalizado Wolverine pelas terras nipônicas e ajuda a esquecer do desastrado filme de 2009. Assistir a aventura em 3D não traz grandes benefícios. Ao término da projeção, vale ressaltar que ver a cena pós-créditos é excitante para quem aguarda pelo novo filme dos X-Men.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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