Dirty Pretty Things

Dirty Pretty Things

Dirty Pretty Things não é um filme leve e gostoso de se ver, muito pelo contrário, o longa é difícil de engolir, tão seco e amargo quanto a realidade a nossa volta. Algumas pessoas podem pensar que se trata de um tema restrito essa tal de imigração, ainda mais quando esta se mistura com o tráfico ilegal de órgãos, “é coisa de cinema”. Não é.
Com um belo elenco, Dirty Pretty Things (2002) foi indicado ao Oscar de melhor roteiro original e conta com a direção do britânico Stephen Frears que leva o ar carregado de suspense da trama até o último minuto.

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A história começa mostrando um pouco da vida de Okwe (Chiwetel Ejiofor, “Amistad”), um nigeriano que vive ilegalmente em Londres trabalhando dia e noite, dormindo pouco e ganhando menos ainda. Quando não está dirigindo táxi, Okwe é recepcionista no Hotel Baltic, um local aparentemente comum e bem arrumado, mas que esconde o segredo de Juan (Sergi Lopez) o abastado chefe do Baltic.

O Hotel passa a ficar menos comum quando Okwe encontra um coração dentro da privada de um dos quartos e seu chefe trata isso como coisa banal, daí em diante vamos descobrindo que nem o Baltic, nem Okwe são personagens normais.

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Para ajudar a compor a trama Senay (Andrey Tautou, “Le fabuleux destin d’Amélie Poulain”), uma das camareiras do Hotel, vive em situação semelhante: veio da Turquia e não pode trabalhar de forma legal na Inglaterra. Senay mostra que a realidade do imigrante pode se tornar ainda mais difícil quando se é mulher.

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Apesar de apontar o quanto é fácil se perder em meio tanta corrupção do submundo europeu, a trama mostra que é possível se perder do jeito “certo” e que ainda existem pessoas preocupadas em fazer o bem, mesmo quando não se tem muito o porque.

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Mais do que isso Dirty Little Things consegue envolver o expectador com seus personagens misteriosos, cheios de portas a serem abertas, e nos faz pensar sobre as pessoas do nosso dia a dia, muitas vezes invisíveis e insignificantes, mas que são pessoas embora nos esqueçamos disso. Até porque não é difícil encontrar um imigrante no Brasil, o difícil é encontrar alguém que se preocupe com a seriedade dessa questão.

                                       

Larissa Lotufo

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