A Mulher De Preto

A Mulher De Preto

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A Mulher De Preto sequer me chamava atenção. Assim que foi lançado, em fevereiro de 2012, torci o nariz e acabei me esquecendo do filme. Decidi me arriscar e assisti-lo em um sábado de cinema em casa, e, tenho de deixar claro: me arrependo de não tê-lo visto antes! O longa, que é estrelado pelo eterno Harry Potter, Daniel Radcliffe, é baseado no livro Woman in Black de Susan Hill que já possuía uma adaptação aos cinemas de 1989. Com furos de roteiro e cenários angustiantes, A Mulher De Preto não agrada tanto aos fãs de um bom horror gótico, mas causa sustos a qualquer entusiasta de obras cinematográficas.

A trama é protagonizada por Arthur Kipps (Daniel Radcliffe), advogado muito moço e pai solteiro que recebe uma última chance da companhia onde trabalha para manter o emprego. Parte, então, para uma vila remota, deixando o filho e a babá em Londres, para tratar dos documentos de uma mansão abandonada cujo proprietário acaba de falecer. Sua chegada não é das mais estimadas e o jovem Arthur logo percebe que algo naquele lugar não é normal. Quando avista uma assombrosa mulher de preto nos arredores da mansão, mortes misteriosas de crianças da vila logo começam a acontecer. O protagonista descobre, após investigações na tenebrosa construção desabitada, uma maldição que envolve a assombração e as crianças mortas. Resumindo: a trama é clichê. Mas isso não impede que o enredo garanta pulos da cadeira e momentos de angústia.

O roteiro, assinado por Jane Goldman (X-Men: Primeira Classe e Kick-Ass), não é ruim e assegura arrepios, embora deixe a desejar principalmente com o personagem Arthur Kipps. O advogado age como herói, indo sempre em busca da bizarra mulher, sem demonstrar medo por diversas vezes. Pelo menos eu, leitores, explodiria em lágrimas e provavelmente morreria de medo. O que o Sr. Kipps vê naquela mansão destruiria os nervos de qualquer homem normal. Adotando o fato de que o filho do protagonista estaria em viagem para a macabra vila em companhia da babá, o que o colocaria em perigo, esse detalhe negativo se torna menos desagradável. Há, em certo momento do longa, a adição de um cachorro como companheiro do jovem na mansão, e fica claro que o único motivo para tal é a garantia do suspense a partir dos latidos do animal. Ele some, porém. O cachorro simplesmente some após as insignificantes cenas de latidos. Isso, realmente, não pude perdoar.
Nada disso atrapalha a boa atuação de Daniel Radcliffe, porém. É claro que as comparações com Harry Potter são inevitáveis, mas livre-se de tudo isso e as muitas qualidades desse ator ficam evidentes.
O protagonista é um personagem muito bem construído, excluindo as atitudes de heroísmo. Um homem que perdeu a esposa e vive sempre triste, atormentado por visões da falecida. Se essas visões tratam-se de alucinações ou de um espírito, não há como saber. Arthur vive em Londres e podemos notar o grande choque que há entre os camponeses e habitantes da cidade grande. As pessoas simples da vila são supersticiosas, enquanto o advogado, em um primeiro momento, apresenta ceticismo.

A mágica do filme fica por conta da atmosfera incrivelmente caprichada. Os cenários das filmagens, figurinos, cores pálidas e até mesmo o sotaque inglês belíssimo dos personagens transmitem com excelência a sensação de velhos tempos. As crianças da vila exibem uma aparência fraca, quase cadavérica, enquanto os adultos são inexpressivos e deprimidos. Outro ponto positivo são as cenas nos corredores escuros, que criam uma sensação de suspense e agonia, em que até mesmo os objetos estrategicamente arranjados nos cômodos do bizarro lugar causam calafrios. Há, ainda, a névoa constante perfeitamente harmonizada com a trilha sonora, composta por ruídos sutis de passos, sussurros do vento, chiados e sons de terríveis brinquedos antigos. Embora, para mim, os momentos mais aterrorizantes da película fossem acompanhados do total silêncio.

Com um final controverso e em parte confuso, A Mulher De Preto é uma produção da já conhecida Hammer Films, responsável por The Curse of Frankenstein de 1957, Dracula de 1958 e diversas outras criações clássicas do gênero, além de Let Me In de 2010, após a ressurreição da produtora em 2007.

Para quem procura um filme que cause sustos e arrepios, este é perfeito, pois é exatamente isso o que a direção de James Watkins (conhecido por O Lago Perfeito de 2008 e O Abismo do Medo 2 de 2009) vai proporcionar. Os furos de roteiro e falta de explicações, porém, farão com que os mais atentos e admiradores do terror fiquem insatisfeitos. Em geral, a obra cinematográfica apresenta boa atuação de todos os atores principais, destaque para Daniel Radcliffe e Ciarán Hinds (Sam), história envolvente e bons instantes de temor.

Thais Soares

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