Iron Man 3

Iron Man 3

Após meses de ansiedade, trailers, spots, imagens e tudo que tivemos direito sobre a divulgação, o Homem de Ferro volta a encher as telonas e lotar os cinemas pelo mundo, desta vez com ares diferentes que, embora pareça brincar em ação, traz dramas maiores à vida de Tony Stark (Robert Downey Jr.).

Uma adaptação de super-herói sempre traz consigo uma bagagem, uma mitologia, um universo pré-estabelecido nos quadrinhos que o originaram. Além deste fator, os dois outros filmes do Homem de Ferro conseguiramIron-Man-3-IMAX-poster conquistar novos adeptos do herói, chamando a atenção de milhões de pessoas que não tinham intimidade com suas histórias. Com essa nova legião de fãs formados dos diferentes nichos da mídia, a Marvel Studios se viu no centro das expectativas e, obviamente, não queria desapontar ninguém. Com esses ingredientes, o que podemos notar como resultado final é uma obra para degustação do público ao qual foi entregue, praticamente, um tributo a Tony Stark.

Nesta continuação, muitas coisas são diferentes das que nos acostumamos. Jon Favreau não mais dirige o longa, porém continua com a produção – e atuando. Em seu lugar no comando entra Shane Black, conhecido por roteirizar a série Máquina Mortífera. Talvez a mudança de diretores tenha deixado Tony um pouco mais engraçadinho, com alívios cômicos, muito bons, diga-se de passagem, em quase todas as cenas. A comicidade é característica fundamental para o sucesso do personagem, porém a quantidade de piadas, às vezes, passa dos limites, deixando transparecer, em cenas mais tensas, um pouco de falta de realismo. O tom e a paleta do filme também estão mais sérios, sóbrios, trazendo um drama verdadeiro para o contexto, algo que convence. O terrorismo é um assunto sempre em pauta, principalmente nos Estados Unidos, gerando medo e comoção de americanos sempre que uma nova ameaça surge. Esse contexto se adequa muito bem na atualidade e, mesmo que tendo sido filmado antes, acaba por fazer menção até ao recente ataque a Boston. Mas tudo para por aí. A atmosfera não chega a ser sombria como se deu a entender nos primeiros trailers, tudo continua na conhecida mecânica da Marvel, cenas teatrais e bem humoradas.

Soldados-Extremis

O roteiro é um assunto que pode render vários parágrafos de discussão, afinal, fica clara a pretensão de entregar um filme que não seja apenas conhecido pelos efeitos visuais e armaduras bacanas, mas que ao tentar sair do básico, criar reviravoltas e surpreender os espectadores, acaba, por consequência, evidenciando alguns buracos na trama, tópicos não resolvidos e um final que deixa a desejar pela opção de ser prático, sem exigir sacrifícios ou maior atenção para compreensão. É um enredo bem elaborado e, inclusive, a forma mais política em que a ameaça principal é tratada, ressaltando que o modo de governo americano tende a criar seus próprios inimigos favorecendo aqueles que os interessam e menosprezando o restante do mundo, juntamente com um Tony Stark que teve sua morada destruída, perdendo suas armaduras e não tendo muitos recursos em seu refúgio, torna a obra bem mais humana. A distância de Tony e seus equipamentos mostra o herói que, nos outros filmes, se escondia dentro dos trajes tecnológicos e explicita que o Homem de Ferro não é apenas alguém dentro de uma armadura que lança mísseis, mas sim um homem de enorme talento e genialidade que controla tudo isso de forma primorosa, tão especial que ainda pode salvar o dia mesmo que esteja longe de suas invenções. O ajudante mirim encontrado por Stark em sua jornada e os ataques de ansiedade que lhe perturbam sempre que os acontecimentos com os alienígenas são citados – em Os Vingadores – são mais alguns detalhes que enriquecem esse processo de humanização.

armaduras

Apesar da realidade supracitada, o que torna tudo mais interessante é a contraposição destes elementos com o teor inaugural de fantasia nas adaptações do Homem de Ferro. Os inimigos, afinal, são super soldados com DNA modificado pela tecnologia Extremis, importada e adaptada de um arco dos quadrinhos, que dá poderes incríveis de reconstituição de células e aquecimento corporal capaz de superar os 3000 graus de temperatura, causando, inclusive, explosões e labaredas de fogo saindo pela boca. E no quesito inimigo, impossível não elogiar o temido Mandarim (Ben Kingsley), terrorista, impiedoso, alimentado pelo ódio e desejo de poder, moldado pelas formas de terror criadas pelos próprios Estados Unidos. A carência de um bom vilão que Iron Man e Iron Man 2 deixaram é magistralmente suprida por Mandarim e Aldrich Killian (Guy Pearce).

mandarim

Depois de uma boa história, o que os fãs mais querem ver é ação. Nesta questão a película não desaponta. Existem cenas de tirar o fôlego, seja no ar, na terra e até na água. A cena da destruição da mansão é assustadora. Em outros momentos, Tony luta apenas com algumas partes de seu suíte e, até mesmo, sem ele. Todas as lutas são muito bem coreografadas, em especial o clímax, onde várias armaduras controladas por JARVIS atacam os soldados extremis como uma verdadeira equipe. O Patriota de Ferro (Don Cheadle), embora não tendo muito tempo de tela, faz também boas aparições. Os efeitos visuais são regidos de acordo com o todo, não mostram avanço, mas são de brilhar os olhos. Já o 3D, convertido, não apresenta grande relevância, ainda que satisfatório, assim como os efeitos sonoros metalizados. E já que falamos em som, a trilha sonora de Iron Man sempre foi empolgante e isso pode causar frustração desta vez. Não que esteja ruim, mas não chega a encher os ouvidos como as músicas de AC/DC que aparecem nos anteriores.

Iron Man 3, sem dúvidas, é obrigatório na coleção daqueles que acompanham filmes de heróis. Talvez, ponderando a expectativa criada em torno dele e o nível de novidades apresentadas, ainda é possível dizer que a primeira adaptação prossiga sendo a definitiva de Tony Stark. Isto não faz que esta continuação perca seu próprio brilho e destaque singular, podendo também ser a preferida do público por suas cenas intensas de ação.

 

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *