Piratas do Vale do Silício

Piratas do Vale do Silício

Topo

Pode ser difícil acreditar, principalmente para os mais jovens, mas por volta de 40 anos atrás os computadores eram muito diferentes dos que conhecemos hoje em dia. Até a década de 70 os computadores – conhecidos como mainframes – eram exclusivos de grandes corporações, os preços eram exorbitantes e nenhuma pessoa iria querer ter aquilo em sua casa. A mudança desse cenário se deve a dois jovens visionários, Steve Jobs e Bill Gates.

capa-do-filmePirates of Silicon Valley (Piratas do Vale do Silício) um filme produzido em 1999 pela emissora de televisão TNT e dirigido por Martyn Burke, conta – com um pouco de dramatização – o momento da história que revolucionou o mundo da tecnologia e os meios de comunicação.

A trama é narrada com um tom de documentário por Steve Wozniak (Joey Slotnik) e Steve Ballmer (John DiMaggio), enquanto Wozniak descreve a ascensão do que viria a ser a  Apple Computer, Ballmer relata o surgimento da Microsoft. O filme começa no ínicio dos anos 70 com Jobs (Noah Wyle) e Wozniak ainda na Universidade de Berkley e Gates (Anthony Michael Hall), Ballmer e Paul Allen (Josh Hopkins) em Harvard. Esse período é marcado pelo Movimento Liberdade de Expressão, no qual a cultura hippie estava muito presente, isso fica bem claro durante com as cenas de uso de algumas drogas, os cabelos compridos, as barbas cheias e com as roupas coloridas e rasgadas.

O enredo de Piratas do Vale do Silício é muito bem construído, por ser um drama já é de se esperar brigas de casais e pequenas crises, mas é isso que deixa o filme tão interessante, pois é possível perceber os conflitos pessoais dos responsáveis pela revolução dos computadores pessoais. Jobs e Wozniak começaram na garagem de casa sem capital algum já que os bancos não emprestariam dinheiro à um rapaz hippie de 20 e poucos anos, mas logo conseguiram patrocínio para abrir uma sede da Apple Computer em Chicago. Enquanto isso Bill Gates e Paul Allen largavam Harvard para produzir uma linguagem de programação para o Altair 8800 um dos primeiros PCs, mas que sem o código de Gates era apenas uma caixa que piscava.

A relação entre Jobs e seus funcionários tem bastante destaque, já que segundo sua filosofia era preciso ter mais que empregados, eles precisavam acreditar naquilo que estavam fazendo, porém isso gerava abusos como a distribuição de camisetas com a frase “trabalhando 90 horas semanais e amando” e a constante humilhação dos funcionários quando algo saía fora dos planos. O relacionamento entre Steve e Bill também é controverso, já que Gates só se aliou a Apple para roubar a tecnologia inovadora do Macintosh – a interface gráfica e a criação do mouse.

Os atores são bem convincentes em seus papéis além de serem bem parecidos com quem representam, Noah Wyle consegue transmitir a genialidade e a filosofia de Jobs de que é preciso criar na cabeça das pessoas a ideia de que elas necessitam de um produto e só você tem como suprir essa necessidade. Anthony Hall também consegue transmitir a personalidade que conhecemos de Bill Gates, um nerd desajeitado com uma visão empreendedora e uma genialidade refutada por alguns.

Piratas do Vale do Silício merece uma atenção especial, não só para aqueles que apreciam um bom filme e gostariam de saber do nascimento dos dois impérios construídos através de muito silício e pequenos roubos de grandes ideias, mas também é importantíssimo para os profissionais de TI – já que mostra o surgimento de grande parte da tecnologia que estudamos hoje – e para os empreendedores de plantão.

Adan Santos

2 comentários sobre “Piratas do Vale do Silício

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *