Amistad

Amistad

O filme “Amistad” é baseado em uma história real e tem a abolição da escravidão nos Estados Unidos da América como um dos temas centrais. O longa recebeu quatro indicações da Academia: para melhor Ator Coadjuvante (Hopkins), Melhor Música, Melhor Figurino e Melhor Fotografia, ainda assim o filme divide opiniões entre adoradores e detestadores da trama.

Para quem é vestibulando ou se interessa por filmes históricos o longa é uma boa indicação, já que através dele tomamos noção do que foi a escravidão dos dois pontos de vista: o do escravagista e o do escravizado. O filme começa com a tomada do navio “La Amistad” por parte dos africanos que haviam sido seqüestrados de suas tribos, na África, para serem forçados a trabalhar como escravos, com a tomada do navio os africanos mataram a tripulação do navio negreiro que os transportava, exceto dois homens, que lhes prometem levar o navio de volta a sua terra natal. Entretanto esses homens os enganam e o navio vai parar perto dos EUA, sendo confiscados pelo governo deste país.

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Daí em diante a trama gira em torno da liberdade ou não desses escravos, no entanto, o que torna a questão mais relevante para o país é o fato de que era época de reeleição nas terras estadunidense e o destino desses escravos passa a se tornar uma questão política bastante complicada em tempos no qual as disputas entre o Sul (escravocrata) e o Norte (menos conservador e aberto ao abolicionismo) eram constantes e a guerra civil iminente. Neste cenário a relação dos defensores dos africanos com Cinque, um sábio e forte personagem, o qual representa a força e seriedade do povo negro, adquire grande importância até o final do longa.

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Aos apaixonados por tramas históricas esse breve resumo já o suficiente para criar uma vontade de assistir ao longa, todavia se você não é tão fã de filmes deste tipo vale dizer que o longa é dirigido por Steven Spielberg e conta com a atuação de Morgan Freeman, Matthew McConaughey, Djimon Hounsou, Anthony Hopkins, Pete Postlewaithe, Nigel Hawthorne. Além do mais, a fotografia e o figurino do filmes são impecáveis, e a trilha sonora acompanha bem o desenrolar da trama.

      

Como foi dito, ainda há quem torça o nariz para “Amistad”, parte das críticas incitadas ao filme consistem em apontar que o longa não passa “emoção” aos seus telespectadores. Em favor dos críticos da trama, podemos afirmar que é notável como nos sentimos “assistindo a um filme” em algumas cenas do longa que fogem um pouco da realidade, é só observarmos a cena em que uma mulher dá a luz dentro do navio negreiro e seu bebê surge limpo e lindo ao mundo, todavia isso não faz com que a trama perca sua força ou importância.

Independente dos recursos estéticos utilizados durante o filme nota-se que houve uma preocupação histórica, dos autores e diretores, em mostrar a inconcebível e dura realidade pela qual o povo africano foi obrigado a ser submetido, com o contato feito pelo homem europeu. Esse fator histórico é tão pontual no filme, que o mesmo não tem um final feliz, Cinque volta para sua casa, mas sua casa não está mais lá, é evidente como não só a sua realidade foi mudada, a realidade de um continente todo foi destruída e as conseqüências são facilmente observadas até hoje.

Ao sentir isso, esse teor de verdade dessa história, o expectador mais atento fica, no mínimo, incomodado ao pensar que sabe disso, nada faz contra isso, sendo ainda um contribuidor nessa dominação selvagem proposta pelo homem branco civilizado, cada vez em que renega suas raízes, despreza os valores culturais dos povos africanos ou fecha os olhos para esta causa. É esse tipo de dominação histórica que faz do nosso país, o Brasil, um país que camufla seus problemas raciais, transforma a cultura do negro ou do índio em mero folclore e ainda discute as cotas nas universidades. Pensado em tudo isso, parece frivolidade criticar um aspecto x ou y do filme, ou será que o branco fincou sua dominação nas raízes de forma tão intensa que não conseguimos ou não queremos ouvir o que o filme nos diz?

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Larissa Lotufo

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