A Hospedeira

A Hospedeira

O filho mais novo de Stephenie Meyer, A Hospedeira (The Host), ganha as telonas, muda o universo, troca os vampiros e lobos por alienígenas e traz de volta o bom (ou não) e velho triângulo amoroso, que já se torna marca da autora teen.poster

Tudo começa já com o planeta dominado pela raça vindoura do espaço, que se autodenomina Alma, eliminando praticamente toda a raça humana da Terra. Praticamente porque ainda existem rastros de rebeldes vivendo às escondidas por entre as almas. A propósito, as tais almas que dominaram o planeta e quase extinguiram a raça humana não passam de seres pequenos, brilhantes, que se assemelham muito com anêmonas, com espécie de “tentáculos” para se locomover. Locomoção que deve ser a menor possível, de dentro da cápsula-nave direto para dentro do corpo humano, entrando por um corte aberto na parte traseira do pescoço dos terráqueos, os ausentando de suas personalidades e passando a controlar seus corpos. Dentro dessa condição, torna-se confuso entender como seres aparentemente inofensivos teriam acabado com os habitantes da Terra, mas não podemos nos ater a tal quesito, afinal, é uma história teen, sci-fi, da autora de Crepúsculo… sem preconceitos!

A ficção científica não é um gênero fácil de trabalhar, principalmente quando deixada apenas como fundo para outro enfoque: o triângulo amoroso. A personagem principal, Melanie Stryder (Saoirse Ronan) é dada como uma rebelde muito resistente que, em eminência de ser pega, preferiria se matar à deixar seu corpo ser tomado. O suicídio acaba não dando certo, porém mesmo quando uma Alma a domina, Melanie ainda mantém sua consciência viva e tentando retomar o controle. Temos, então, situações de romance com o namorado da personagem e, por outro lado, a hospedeira, chamada Peregrina, acaba ficando atraída por outro homem. Esse clichê batidíssimo torna os acontecimentos mais previsíveis e entediantes.

Humano dominado pela Alma

Deixando o roteiro de lado, os quesitos técnicos do filme também me preocuparam. Apesar de ter um design elegante com o que diz respeito aos alienígenas, como carros, computadores e suas naves, faltam elementos para compor melhor o universo vazio demais que é apresentado. Os cenários são simplificados, grande parte da trama se passa no mesmo lugar – um deserto – e quase não existem detalhes. As cenas se alternam entre os humanos refugiados na caverna mal iluminada e o mundo dominado pelos alienígenas, causando perceptível desconforto nos olhos com as alterações constantes de iluminação, ora ausente, ora exagerada.  A trilha sonora tenta dar um ar mais futurista e acaba não ajudando em nada, não empolga e parece ser a mesma do início ao fim, repetidamente, causando irritação.

Ademais minha curiosidade habitual, outro agente que contribuiu para que eu assistisse ao filme foi o diretor Andrew Niccol. Famoso por dirigir obras como O Preço do Amanhã (2011), O Senhor das Armas (2005), O Show de Truman (1998) e Gattaca (1997), Niccol parece mesmo estar em A Hospedeira apenas para dar consistência à equipe do filme, também produzido por Meyer. Não há traços que caracterizem o diretor durante toda a experiência da projeção. Algumas cenas são fracas, mal atuadas e mal executadas, testemunhando contra o nome de Niccol. O monólogo praticado por boa parte da trama chega a dar sono, onde, na verdade, o corpo dominado por Peregrina conversa com a consciência que ainda é de Melanie.

Alma

Analisando tantos fatores, adicionando o fardo de sucesso de bilheteria da autora com seus filmes anteriores e repetindo a fórmula neste, A Hospedeira, ainda que seja filmado de forma tão genérica, pode conquistar fãs fiéis. Vale lembrar que a recepção do público, na semana de estreia nos cinemas americanos, não foi calorosa como o esperado. E você, vai encarar essa ficção científica romântica?

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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