Oz – Mágico e Poderoso

Oz – Mágico e Poderoso

Ainda na onda das refilmagens dos clássicos do século passado, porém, desta vez, com o propósito do prelúdio, Oz – Mágico e Poderoso (Disney) legalmente impedido de mencionar o filme de Mágico de Oz (1939) – pertencente à Warner – tangencia os limites do antigo longa e aproveita conceitos do livro original de L. Frank Baum.

Ao falar em Disney e contos maravilhosos a palavra infantil fica subentendida, podendo-se esperar, logo, um filme leve, colorido, de cronologia linear e sem grandes tramas. Assim desenvolve-se o filme de Oscar Diggs, chamado de Oz. O personagem parece ter sido criado nas medidas para o ator James Franco, que já trabalhou com o diretor Sam Raimi na trilogia Homem-Aranha. Oscar carrega um estereótipo de mágico canastrão, ilusionista de circo barato, que em uma confusão com um marido enfurecido, foge voando com um balão, sendo levado por um tornado diretamente ao mundo fantástico com o caminho dos tijolos amarelos.

Em vários momentos é perceptível que a produtora não se empenhou o suficiente em escrever uma grande história. A verdade é que o filme tem um roteiro bem preguiçoso, regado de encontros casuais coincidentes demais, fugas fáceis e reviravoltas esperadas. Todavia, interessantes são as referências sutis à película de 1939, como um leão fugindo covardemente de um truque barato e os espantalhos sendo usados e controlados como um exército “burro”, servindo de isca. Por outro lado, a falta de motivação real dos personagens torna a trama morna, sem sucesso em levar o expectador para dentro do universo do grande (farsante) mágico.

Sendo a principal proposta da Disney, tentando ofuscar o enredo despreocupado, o filme merece destaque nos quesitos técnicos. Câmeras panorâmicas, belos cenários de fundo, fotografia exuberante e paleta de cores bem variadas e com tons fortes faz um visual construído para o 3D. Os elementos são todos encaixados na tela de forma a favorecerem a sensação de saírem da mesma. Tantas vezes, objetos vêm de encontro ao expectador, causando até algum susto, o que acaba sendo divertido, como uma fada de dentes afiados cuspindo em nossa direção. Para complementar o visual, a trilha sonora é responsável por tentar adicionar mais emoção às cenas, sendo apenas competente, como esperado, mas não chega a causar grande empolgação.

De maneira geral, a impressão que fica é que a Disney só precisava de um diretor para orquestrar um filme que já tivera moldes bem definidos antes mesmo das filmagens começarem. Tendo em vista outras obras dirigidas por Sam Raimi, Oz – Mágico e Poderoso não parece ter sentido os efeitos da mão do diretor.

A atriz Mila Kunis, conhecida por estrelar comédias românticas, destaque do elenco, parece um tanto apática e não foi utilizada tão bem como poderia. A propósito, o elenco bem formado ajuda a evidenciar o quanto este longa pode ser considerado comercial, em que a real intenção é trazer lucros à produtora.

Mila Kunis interpreta a bruxa Theodora

A bela produção visual da Disney utiliza-se também de recursos já vistos em outras obras, a começar pelo conceito da história clássica, aliado de um mundo fantástico, como visto em Alice no País das Maravilhas (2010), os minutos iniciais do filme, em preto e branco e criaturas bizarras, como macacos alados. Com essa montagem de noções cinematográficas, a Disney, aparentemente, conseguiu o objetivo, mantendo Oz – Mágico e Poderoso no topo das bilheterias mundiais.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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