007 – Operação Skyfall

007 – Operação Skyfall

Skyfall

Chegando ao DVD e Bluray nessa semana, após uma bilheteria respeitável gerando mais de US$1 bilhão pelo mundo, 007 – Operação Skyfall certamente ganhou um bom lugar na galeria de filmes do espião mais conhecido dos últimos 50 anos. O longa, que comemora as cinco décadas de James Bond, não poderia ter se saído melhor e, além de levar multidões ao cinema, recebeu indicações ao Oscar, ganhando duas estatuetas.poster

O primeiro ponto que merece destaque na composição, sem dúvida, é atuação. Daniel Craig, que ao ser escolhido para viver James Bond em Cassino Royale, gerou dúvidas e desconfiança aos fãs que não ficaram satisfeitos ao verem o primeiro 007 loiro. É certo dizer, porém, que no terceiro filme do espião de Craig, o ator transmite muito mais confiança e encarna os mais famosos trejeitos elegantes e sedutores do agente. Com a mesma importância do protagonista, o antagonista Silva, vivido por Javier Bardem, se mostra como perfeito contrapeso na trama e dá show com um personagem complexo, alucinado pela vingança e com fortes referências à homossexualidade.

Nesta história, pelo contrário das últimas que envolviam problemas mundiais, a organização inglesa de serviço secreto, MI6, corre contra o tempo para resolver um problema na falha da própria segurança, pois um HD contendo o nome de todos os agentes infiltrados foi roubado. Em perseguição extensa, cheia de ação e muito bem conduzida logo ao início do filme, James Bond leva um tiro e acaba dado como morto pelo governo britânico. Após um ataque direto a sede da MI6, Bond decide deixar de lado sua “aposentadoria” e se apresenta ao serviço.

O diretor Sam Mendes conduz o enredo com maestria e deixa claro várias referências ao longo da projeção. Como declarado pelo próprio Mendes, podemos, inclusive, perceber influência da trilogia de filmes do Batman de Christopher Nolan neste repaginado 007. As sequências de câmera, trilha sonora tensa e antagonismo entre Bond e Silva evidenciam tais influências. Esta rivalidade, a propósito, é bem delineada, contrapondo em todo momento as diferenças entre o mocinho e o bandido, o clássico e o moderno, o viril James Bond e o afeminado Silva.

Ainda sobre as referências de contradição, o jovem Q (Ben Whishaw) é um jovem hacker que alega fazer mais estragos enquanto está deitado de pijamas em sua cama que Bond atirando nas pessoas. Da mesma forma, M (Judi Dench) é colocada à prova por seus métodos de espionagem considerados ultrapassados, vigiada de perto por Gareth Mallory, um agente do governo vivido por Ralph Fiennes, que tenta forçar M a desistir do caso e se aposentar.

Bond (direita) se encontra pela primeira vez com o agente Q.

Talvez por ter um início tão forte, rápido e empolgante, o roteiro acaba esfriando um pouco ao desenrolar da história, deixando de ser sobre espionagem e focando mais em ação, tiros e explosões. Essa falha não tira, por si só, o brilho da película, mas podemos considerar que Skyfall começa melhor que termina. Com tantos outros filmes do espião para serem comparados a esse, mas levando apenas os feitos por Craig em consideração, Cassino Royalle tem o enredo mais sólido do início ao fim. Quantum of Solace, portanto, é o pior da última trilogia.

Recheado de diálogos inteligentes, metáforas e simbolismos, no primeiro encontro entre Bond e Silva, 007 ainda deixa dúvida sobre já ter tido relações homossexuais, mostrando, mais uma vez, que o longa traz um assunto muito discutido atualmente para um personagem criado há mais de 50 anos.

James Bond (Daniel Craig) e seu antagonista Silva (Javier Bardem)

No quesito técnico, 007 – Operação Skyfall preza pelo primor. Com efeitos visuais competentes, aliada de ótima fotografia e uma edição de som de qualidade elevada, consegue levar o expectador para dentro da tela. A música tema, intitulada Skyfall e composta pela cantora britânica Adele, dá um toque todo especial, com arranjos e vocais impecáveis, trazendo na letra todo o simbolismo presente na trama. Música que, não por acaso, ganhou o Oscar pela categoria de Melhor Canção Original.

Considerando que o agente secreto mais famoso já está em seu 23º filme, o sucesso de bilheteria, mesmo após 50 anos, deve garantir boa longevidade à franquia. 007 – Operação Skyfall é sim um dos melhores filmes modernos de James Bond e merece lugar certo na prateleira dos admiradores do espião com permissão para matar.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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