The boy in the striped pajamas: a inocência infantil se mescla com a dura realidade do nazismo.

The boy in the striped pajamas: a inocência infantil se mescla com a dura realidade do nazismo.

Muitas vezes me pego questionando os rumos que a nossa sociedade tomou ao longo da história para chegarmos a este estado de latência humana, em que o fútil é dado como ideal de vida, a beleza é mais importante do que inteligência e onde as pessoas ainda são julgadas pelo que elas têm e não pelo que elas são. Clichê e até bonitinho ouvir isso de uma menina bem educada vinda da classe média, no entanto, infelizmente é notável que isso também têm se tornado cada vez menos comum, até mesmo os futuros intelectuais do país muitas vezes se vendem a este mundo superficial e fácil de viver, outro fato bem visível quando conhecemos alguns estudantes das “melhores universidades do país”.

Essa crítica acaba sendo ainda mais pesada e justificável quando nos direcionamos à mídia em geral, a qual muitas vezes nos prende ao conhecimento picado, deslocado e encoberto de omissões.

Com a recente passagem do Oscar 2013, com todo seu glamour e premiações, vale a pena nos deter a algumas coisas boas que o cinema pode trazer e o ano de 2013 trouxe longas bem contextualizados, preocupados com a história de pessoas comuns, de gente de verdade, que as vezes se destacam mais ou menos dentro status social, mas possuidoras de historias que não deixam de ser importantes. É obvio que a vida não deve ser só trabalho, estudos e conhecimento, deve existir o lazer e o divertimento, todavia isso deveria ser um direito de todos certo?

Ao assistirmos o filme “The Boy in the Striped Pajamas” somos obrigados a relembrar as aulas de história sobre a Alemanha nazista, em que só o homem branco caucasiano, forte e saudável tinha esses direitos.  A começar por sua intenção, de adaptar a história de John Boyne das páginas para as telinhas, o filme já tem pontos positivos.

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Embora muitos dos críticos se deleitem em apontar aspectos negativos da obra, acredito que o grande público não concorde com tais ideias, principalmente quem só entrou em contato com o filme e não com o livro, assim como a autora lhe escreve.

O longa conta a história de Bruno (Asa Butterfield), um menino de oito anos e filho de Ralf (David Thewlis) um oficial do Reich alemão. A vida do garoto é bastante normal e feliz, até que sua família precisa mudar de casa para que seu pai possa cumprir suas obrigações militares, com isso Bruno é obrigado a deixar sua vida em Berlim e passa a morar em uma casa afastada da cidade e perto de um campo de concentração. A partir disso começamos a ver as qualidades do longa, o qual tem o menino Bruno e sua visão infantil, inocente e por vezes ingênua do mundo como protagonista.

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Quando Bruno começa a “explorar” sua nova casa avista o campo de concentração, o qual acredita ser uma grande fazenda, a partir daí a atmosfera do drama ganha os ares pesados e intensos, que essa parte da história da humanidade tem.

É interessante notar que, embora o garoto seja o personagem principal da trama, cada uma das pessoas a sua volta tem significados enormes na composição da história, de forma que sua irmã Gretel (Amber Beattie) representa os jovens influenciados pelas ideias de Hitler, sua mãe (Vera Farmiga) é a metaforização do povo alemão que não faz ideia do acontece dentro de seu país e o pai é a personificação dos soldados e do governo.

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Isso fica fácil de notar quando nos detemos a personagens como Pavel, um médico judeu que que é obrigado a servir a família de Bruno. As cenas em que o médico aparece são bastante carregadas do olhar judeu da história, mostrando como o massacre não foi somente algo que estudamos em livros, foi algo real, que trouxe sofrimento e uma desigualdade sem igual.

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Tendo em vista todos esses elementos, o filme só ganha qualidade durante a progressão da história e tem vários pontos de tensão até chegar ao grande final, mais chocante e desesperador. Pelo trailer já é possível sentir o clima da trama, que mescla ingenuidade e tensão.

Para não cair no erro de ser um espectador descuidado, devemos notar um defeito que faz o filme perder pontinhos: o longa tem o inglês como língua falada. Embora a escolha siga os padrões comerciais que as grandes produções costumam pedir, não deixa de ser uma escolha que peca por tirar um pouco da áurea de naturalidade que a trama traz. Ainda assim, “The boy in the striped pajamas” é um filme excepcional e que vale a pena ser assistido.

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Larissa Lotufo

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