Watchmen – Quem vigia os vigilantes?

Watchmen – Quem vigia os vigilantes?

Se você é um amante e conhecedor de quadrinhos provavelmente já ouviu falar de Watchmen, uma série de HQs escritas por Alan Moore em sua melhor forma, com arte de Dave Gibbons e John Higgins e publicada pela DC Comics durante 1986 e 1987. A trama criada por Moore serviu de inspiração para que em 2009 sob a direção de Zack Snyder (que dirigiu 300 e está dirigindo atualmente Man of Steel) fosse lançado um filme sobre os Vigilantes (Watchers) máscarados responsáveis por manter a sociedade norte-americana dentro da lei.

A adaptação de Snyder se mantem bem fiel aos quadrinhos dos anos 80, ambientada em uma realidade alternativa de 1985 em plena Guerra Fria, onde antigos vigilantes mascarados foram obrigados a abandonar as máscaras e se integrarem na sociedade como simples cidadãos. Até que a morte de um deles, o Comedian (Jeffrey Dean Morgan), faz com que Rorschach (Jackie Earle Haley) comece a investigar quem está matando antigos mascarados. Durante a busca pelo assassino de vigilantes, aparecem alguns super herois conhecidos como Nite Owl (Patrick Wilson) e Silk Spectre II (Malin Akerman) – suspiros merecidos pra Malin em algumas cenas -, Dr. Manhattan (Billy Crudup) e Ozymandias (Matthew Goode).

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Watchmen possui cenas de lutas fantásticas com a clássica câmera lenta, marca registrada de Snyder – você deve se lembrar das inúmeras cenas em câmera lenta durante as batalhas em 300. A fotografia do filme é de dar inveja, as lutas são banhadas por muito sangue e ossos quebrados, o que surpreende bastante para um filme atual onde o politicamente correto e a necessidade de produzir algo que atinja desde os filhos até os avôs assombra os estúdios de Hollywood.

Se você ainda tem dúvidas da qualidade de Watchmen, prepare-se para a trilha sonora, pois um filme que começa com Sound of Silence de Paul Simon e Garfunkel tem tudo para ter uma trilha épica. Com cenas embaladas por Janis Joplin (Me and Bobby McGee), Jimi Hendrix (All Along the Watchtower), Bob Dylan, Smashing Pumpkins e tantos outros que só pelas canções esse filme já merece todo o respeito de apreciadores de músicas de qualidade.

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Em um período onde a ameaça de aniquilação global é constante, uma questão é levantada a todo momento no filme: o ser humano e sua natureza auto-destrutiva. Assim como diria o filósofo Thomas Hobbes, “o homem é lobo do homem” e o estado natural do ser humano é a guerra. Trazendo para a atmosfera de Watchmen a guerra é gerada pela constante busca de poder entre as duas grandes nações do período.

O dilema central está no próprio nome do filme, Watchmen (Vigilantes), superheróis que aqui estão para vigiar a sociedade, mas quem vigia os vigilantes mascarados? O que acontece quando o poder lhes sobe a cabeça e começam a cometer atrocidades sem serem punidos? Afinal aqueles que defendem a lei também precisam respeitá-las, mas como cidadãos normais podem se defender de pessoas com poderes maiores que os normais – pense nisso trazendo para sociedade atual, é fácil identificar quem são os vigilantes mascarados os quais o poder subiu a cabeça , não?

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Watchmen vai muito além de cenas de violência e sexo, existem diálogos e narrativas que fazem os mais atentos repensarem na condição humana e no rumo tomado pela humanidade ao longo desses anos. Se você é amante de quadrinhos, boa música, cenas épicas e um roteiro sem igual, prepare-se para duas horas e quarenta e dois minutos que vão te render boas horas de discussão com os amigos.

Adan Santos

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