Meu Namorado É um Zumbi

Meu Namorado É um Zumbi

posterQuando um tema ganha destaque, como de costume, várias mídias o trazem de diferentes formas e em contextos mais variados do que poderíamos imaginar ou que gostaríamos de ver. Com os vampiros saindo um pouco de cena após saturação da espécie, os Zumbis vêm ganhando o coração do público. Seguindo essa tendência de aproveitar o destaque temático, Meu Namorado É um Zumbi (Warm Bodies) conta a estória de um zumbi, morto sim, porém não incapaz de se apaixonar.

Com um objetivo audacioso e não menos curioso, aliado de um título nacional tão mal escolhido que deve espantar muitos cinéfilos, a adaptação do livro Sangue Quente, de Isaac Marion, tem potencial enorme e catastrófico para ser um grande lixo tóxico das telonas. Pelo menos para as gerações que já ultrapassaram as duas décadas de vida, que acompanharam o nascimento das criaturas comedoras de cérebro nos gêneros de terror em filmes como Madrugada dos Mortos (1978, com remake em 2004) e A Noite dos Mortos-Vivos (1968, remake em 1990), assim como em vídeo-games, principalmente no jogo Resident Evil (1996), imaginar um zumbi apaixonado por uma humana é uma experiência bem inusitada.

A partir de todo esse preconceito e esperando pelo pior, eis que fui surpreendido positivamente. O filme tem um início um tanto tortuoso, talvez pela expectativa que se cria pelo desenrolar da trama. Nosso personagem central é um morto-vivo simpático e saudosista que não se lembra do nome que tinha antes de ser transformado, sabendo apenas que tinha a letra R como inicial, sendo assim chamado. R (Nicholas Hoult) passa todo seu tempo livre andando pelo aeroporto onde mora com centenas de outros zumbis, porém parece diferente dos outros. Algumas lembranças de quando ainda possuía uma vida não foram apagadas e isso dá a ele características curiosas como, por exemplo, colecionar objetos interessantes que ele encontra e ouvir discos de vinil antigos. Em um dia de procura por comida fresca com outros de sua espécie, depara-se com um grupo de humanos que saíram da que pode ser a última cidade do mundo.

WARM BODIES

Com o encontro dos dois universos do filme, humanos e zumbis, o crescimento da história é bem perceptível. O diretor Jonathan Levine consegue levar o filme de uma forma leve e divertida, sem se levar tão a sério, dando um ar descontraído e bem-humorado. O relacionamento entre a humana (Teresa Palmer) e R acontece de forma gradual e, embora apresente clichês, alguns acontecimentos são bem inesperados, trazendo muitas cenas cômicas à tela.

Mais um ponto a favor da película vai para a trilha sonora que embala toda a trama com músicas de Bob Dylan, Guns n’ Roses, Scorpions, entre outras bandas.

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Sem chegar ao status de obra épica, Meu Namorado É um Zumbi é uma experiência diferenciada e consegue superar expectativas. Mesmo não apresentando cenas memoráveis, dignas de louvor nem o roteiro mais interessante e inteligente do cinema, torna-se um filme válido e ascensão é, sem dúvidas, a principal palavra para definir o enredo que cresce do início ao fim da obra. Ainda que não seja ótimo, é bom, recomendado e atrevido.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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