João e Maria – Caçadores de Bruxas

João e Maria – Caçadores de Bruxas

Observando algumas das últimas obras de Hollywood (“Espelho, Espelho Meu”, “Branca de Neve e o Caçador”) e séries recentes (“Once Upon a Time”, “Beauty and the Beast”), não é difícil perceber um padrão entre elas.capa Até parece que, cada vez mais, está difícil contar novas histórias, criar roteiros originais, enredos surpreendentes. Estariam exauridas de boas novas as minas de criatividade das grandes produtoras? Ou recontar histórias antigas seria apenas uma forma preguiçosa de escapar dessa crise que assola o centro criativo da sétima arte? Independente do motivo, João e Maria – Caçadores de Bruxas (Hansel & Gretel: Witch Hunters) é a mais nova estreia sobre contos infantis que aparece nas telonas e mostra a vida dos dois garotos após a sobrevivência à casa de doces, da fábula dos irmãos Grimm.

Tendo como principal diferencial de outros filmes que reviveram no cinema histórias conhecidas, João e Maria optou por um gênero menos explorado e tornou as coisas nem tão bonitinhas como crianças gostariam de ver. O pior disso é que também não se tornou sério o bastante para ser um filme destinado à adultos. Sendo o que chamamos de Gore, a atmosfera é um tanto sombria, contendo muitas cenas de violência, cabeças esmagadas e muitos litros de sangue, dando um tom meio trash para a trama. Esses atributos acabam caricaturando a história e, de certa forma, isso é bom, pois mostra que o filme não se leva tão a sério assim. O período se assemelha muito com o medieval, inserindo, porém, armas modernas demais para a época, o que pode se caracterizar, ainda que de forma tímida, atributo do subgênero steampunk.

Armamento pesado no período medieval

O baixo orçamento do filme limita demais o desenvolvimento de uma boa estrutura. Não há uma espinha dorsal, uma coluna central que sustente os fatos e os personagens. A falta de recurso traz, em apenas 88 minutos, um roteiro que mostra acontecimentos atropelados, rápidos demais, sem polimento, cheio de furos e saltos temporais. Os dois personagens que dão nome à trama (assim como os outros menos importantes) são rasos e mal fortalecidos contextualmente, tirando a credibilidade que lhes deveria pertencer. O carisma fica por conta mesmo dos atores Jeremy Renner (Os Vingadores) e Gemma Arterton (Fúria de Titãs) que, sozinhos, devem ter levado grande fatia do capital para as filmagens, entretanto ajudam a dar simpatia para o João (Hansel) e a Maria (Gretel). Não nos esquecendo da atriz Jamke Janssen (Jean Grey, nos filmes de X-Men), interpretando a vilã.

As cenas de ação acontecem com frequência, mas também deixam evidente o sofrimento com o baixo custo de produção com cenas rápidas, cheias de corte de câmera e, muitas vezes embaçadas. O 3D é explorado muitas vezes, porém abusa da já batida estratégia de impressionar público e se torna cansativo depois de tanto arremessar armas e escombros na direção dos nossos olhos.

bruxa
Jamke Jahssen mostrando sua verdadeira face

Embora o banho de sangue e eventos difíceis de engolir, João e Maria – Caçadores de Bruxas tem vários alívios cômicos que, ainda não sendo dignos de grandes gargalhadas, ajudam a descontrair e a desviar a atenção dos pontos negativos da obra, funcionando bem para ajudar na fluidez do roteiro na tentativa de não transformar em frustração a experiência de quem assiste.

Indo por uma via paralela às adaptações atuais de histórias infantis para a telona, a fábula alemã Hansel & Gretel: Witch Hunters, se não levada a sério, é divertida e não muito mais que isso. Mesmo com maior peso sobre os defeitos, não chega a ser algo a se passar longe. Ao fim, deixa todo o cenário preparado para uma continuação que, provavelmente dependerá da reação da bilheteria, podendo ser, futuramente, uma franquia melhor trabalhada caso tenha boa arrecadação nos cinemas.

cena2

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

Um comentário em “João e Maria – Caçadores de Bruxas

  1. Os contos de fadas estão inseridos de tal maneira na memória coletiva que esses lançamentos inspirados por eles não são se se estranhar…eu particularmente adoro contos de fadas e fiquei curiosa em assistir esse filme, principalmente sabendo da Jamke Janssen como vilã, papel que deve ter ficado muito bom para ela, rs, não gosto dela no X Men. O aspecto steampunk sempre me atrai ! Gostei muito do artigo !

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *