Looper – Assassinos do Futuro

Looper – Assassinos do Futuro

Falar do velho assunto de viagem no tempo, ainda mais no cinema, normalmente é sinônimo de confusão mental e bagunça no roteiro. As mudanças feitas no passado alteram todo o futuro, transformam a história e dão nó em nossas cabeças. Embora seja um tema já bastante abordado em filmes, Looper se destaca por uma história original e organizada que, em alguns momentos, brinca e enaltece essa anarquia do próprio tema.

Looper poster
Looper Poster

Vamos às explicações – ou pelo menos tentar. Como diz a narração do filme, a viagem no tempo ainda não foi inventada no presente, mas sim no futuro. Porém, quebrar as barreiras do tempo se tornou ilegal e foi utilizada apenas como severa punição aos bandidos do tempo porvir. Os Loopers são assassinos do presente encarregados de aniquilar tais criminosos trazidos de três décadas à frente, em troca de barras de prata. O maior inconveniente de ser um Looper é que, em algum momento, o fora-da-lei viajante do tempo será o próprio Looper envelhecido, indicando que só lhe resta 30 anos de vida, quando, após este período, será mandado de volta ao passado para ser morto por seu correspondente do pretérito. Assim encerra-se o “loop”.

Pareceu complexo demais? Pois aí entra o trabalho do diretor Rian Johnson, refinando essa complicação e tornando o filme agradável de ver. Sem grandes nós temporais, a história segue firme e concisa apresentando novos elementos interessantes, tal como mutação genética numa pequena parcela da população. Como o tempo presente do filme se passa no ano de 2044, algumas tecnologias novas para nós já parecem comuns para a época, porém não tendo uma grande distância dos dias atuais, é possível identificar modelos de carros, jaquetas de couro e armas mais antigas, dando uma mistura interessante e aproximando o filme da nossa realidade.

Looper
Joe, personagem principal (esquerda), e vítima vinda do futuro

Outro aspecto que merece destaque é a atuação do personagem principal (Joseph Gordon-Levitt), munido de uma excelente maquiagem para ficar parecido com Bruce Willis, que interpreta o mesmo personagem 30 anos mais velho. Gordon-Levitt copia as expressões do ator veterano e realmente se transforma em uma versão mais nova dele, fazendo o enredo funcionar e dando ainda mais consistência para a trama. O velho Willis também tem seu mérito e papel fundamental mostrando que ainda rende bons filmes.

Embora os acontecimentos sejam previsíveis, em alguns momentos, isso não age negativamente para o contexto. Pelo contrário, nos faz querer saber de que forma irá acontecer aquilo que já esperamos que aconteça. Isso alimenta a curiosidade e prende a atenção, tornando Looper uma ótima alternativa para os já supracitados sci-fi turbulentos, embaraçados e desordenados.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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