A Filosofia de Matrix – Parte I

A Filosofia de Matrix – Parte I

Coberto por um mar de efeitos especiais, custando US$ 65 Milhões e rendendo mais de US$ 456 milhões (só com o primeiro filme da trilogia), Matrix conta “a luta de um hacker profissional, ao lado de um grupo de revolucionários, contra o programa de inteligência artificial que controla a realidade vivida pelos seres humano”1. Opa, espera aí! Quer me convencer que um ganhador de 4 oscars é só isso? Uma trilogia sobre um hacker que luta contra um programa de inteligência artificial em uma falsa realidade? Pobres Andy e Lana Wachowski! Devem sofrer cada vez que alguém pensa isso.

Os irmãos, que tem na bagagem filmes como Assasins[1995] (alguém lembra do Stallone e do Bandeiras, tentando matar a mesma pessoa?), V for Vendetta[2006], do grande autor Alan Moore(Watchmen, Batman: The Killing Joke), pesquisaram muito para fazer esse filme. No leque temos budismo, espiritualismo, cristianismo, filosofia, mitologia egípcia, grega e mais um monte de simbolismo vindo de inúmeras culturas ao redor do mundo.

O filme possui várias interpretações possíveis, optei pelo caminho mais simples e lógico então… chega de blá, blá e vamos para o filme.

 

A Matrix

Antes de começarmos a citar os easter eggs, vamos entender do que estamos falando. O que raios, é a tal da Matrix?

A Matrix nada mais é que uma grande realidade virtual. A maioria dos nosso leitores, tenho certeza, já passaram HORAS E HORAS, em algum MMORPG, para os mais oldschool, simuladores como The Sims ou SecondLife. Agora imagina estar “preso” a essa realidade virtual, sem saber que existe vida, fora disso. Confuso né? No filme os seres humanos pertencem a essa realidade computacional e acreditam que aquilo é a vida real, entretanto, alguns desses seres, são despertos, por outros já despertos e percebem que essa suposta vida real é uma ilusão.

O filme começa quando, Thomas Anderson, um hacker conhecido no submundo como Neo, sonha com um bug no seu computador, com perguntas intrigantes:

 Você já se sentiu como se não soubesse se está acordado ou se está sonhando?

Eu imagino…que você esteja se sentindo um pouco como a Alice. Entrando pela toca do coelho. Eu vejo nos seus olhos.Você tem o olhar de um homem que aceita o que vê…porque está esperando acordar.

A Matrix está em todo lugar. À nossa volta. Mesmo agora, nesta sala.Você pode vê-la quando olha pela janela…ou quando liga sua televisão. Você a sente quando vai para o trabalho…quando vai à igreja…quando paga seus impostos. É o mundo que foi colocado diante dos seus olhos… para que você não visse a verdade.

Que verdade?

Que você é um escravo. Como todo mundo, você nasceu num cativeiro… nasceu numa prisão que não consegue sentir ou tocar. Uma prisão… para sua mente.

 Bom, o diálogo acaba com “o computador” insistindo que ele deve seguir o coelho branco, se ele deseja saber “até onde vai a toca do coelho”. Logo após ele acorda com batidas na porta de um cliente esperando um software, este o agradece com a seguinte frase:

Hallelujah. You’re my savior, man. My own personal Jesus Christ.

  Aqui temos duas referencias: Primeira, Lewis Carrol, com o clássico Alice no País das Maravilhas (que merece um texto separado) e obviamente, ao cristianismo.

 Neo, possui, deste o nome indícios de que ele será o grande salvador do mundo. Neo é anagrama para One. The One. O Grande escolhido. Ao ser chamado de “Jesus Cristo”, só estávamos recebendo um grande spoiler do final da trilogia. Porém, não é só isso, durante toda a série, Neo também é visto como um ser iluminado, assim como Buda e podemos até mesmo, ver luzes em seu corpo, brilhando diferente dos demais personagens.

 Personagens

Fica claro, para qualquer computeiro ou nerd de plantão, que cada personagem que compõe a matrix é um programa (software) de computador e aqui caberia uma teoria quase conspiratória, sobre o sistema binário, mas deixemos para outra oportunidade entre os principais softwares da matrix encontramos o Arquiteto, a Oráculo, o Merovingian, Persephone, Os Gêmeos-Fantasma o próprio agente Smith ee.. ok. Vamos parar por aqui, por enquanto.

Os personagens, em sua essência, se apresentam duais, aos pares.. o bem e o mal e abrimos aqui, espaço para o cristianismo e para a filosofia ocidental, com os escritos de Platão e Aristóteles, onde apareceram os primeiros vestígios da ideia de dualidade.

O Arquiteto e a Oráculo

Neste casal, temos uma visão de pai e mãe. Ele, apresentado no capitulo final da trilogia, um homem sério, bem vestido, totalmente racional. O Arquiteto, bem como nome sugere, juntamente com oráculo, são programas criadores, mas esta função, não atribui a eles, a criação da matrix. O casal (que não se bica nenhum pouco no filme), é  responsável pela “calibração” da matrix. Por isso, quando Neo, protagonista do filme, esta em duvida sobre ser o escolhido ou não, ele vai até a Oráculo buscar orientação. Ela por sua vez, é uma santa mãe! Com a casa cheia de crianças, sempre preparando biscoitos e pronta para dar ótimos concelhos (nem sempre entendido por todos).

A dualidade dos dois personagens se encontra na Razão x Emoção. Enquanto aquele é o responsável por toda a parte lógica do sistema, na funcionalidade e na perfeição, esta está é um programa intuitivo, fortemente ligada a criação do amor e dos sentimentos mais humanos que existem.

Merovingian e Persephone

Estes dois programas secundários são responsáveis pelo “gerenciamento” da matrix. Os Merovingios, reza a lenda foram uma raça de seres considerada semi-deuses, ou seja, com fortes ligações com Deus e com alguns “poderes especiais” (não estou falando de Hadouken!) No filme, ele busca apenas poder. O muquirana, controla os programas mais legais da matrix (O Chaveiro, Trainman..) Porém.. ele ache como um gangster criminoso que vive agindo por baixo dos panos.

Persephone, por ser sua dual, busca apenas o mais puro amor. Como um bom programa, ela funciona como um termômetro de emoções dentro do sistema . No filme, estes dois formam um belo ( ou nem tanto) casal.

E acabamos por aqui a primeiro parte desta história! No próximo texto teremos mais filosofias e coincidências (será?) sobre os “despertos da matrix”, onde vivem, como se locomovem… tudo ao melhor estilo globo repórter!

Deixem um comentário aqui em baixo dizendo o que achou do artigo. Quanto mais pessoas comentarem, mais rápido sai a segunda parte e é isso!

Um abraço,

Namastê!


 Referencias:

1http://www.portaldecinema.com.br/Filmes/matrix.htm

Admin

Um comentário em “A Filosofia de Matrix – Parte I

  1. Ótimo texto pra trazer de volta minha vontade de rever a trilogia! Na época em que Matrix apareceu, eu não tinha maturidade suficiente de entender tantas referências. Uma boa pedida para as férias 😀
    Esperando pela parte dois!

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